A Prefeitura de Araras, por meio das secretarias municipais de Saúde e de Meio Ambiente e Agricultura, divulgou orientações à população sobre a prevenção da raiva — zoonose viral que atinge o sistema nervoso central de mamíferos, incluindo seres humanos, cães, gatos, morcegos, bovinos, equinos, ovinos e caprinos, e que, após o início dos sintomas, é quase sempre fatal. As recomendações cobrem o que fazer em caso de mordida ou contato com animal suspeito, como agir diante de um morcego caído e onde vacinar gratuitamente cães e gatos. As informações são da Prefeitura de Araras.
"A doença pode envolver diferentes ciclos de transmissão: urbano, relacionado principalmente a cães e gatos; rural, envolvendo animais de produção; silvestre, relacionado a mamíferos silvestres; e aéreo, relacionado aos morcegos", explicou a diretora de Meio Ambiente e Agricultura, Bruna Martins. A vacinação dos animais, a atenção a situações de risco e a comunicação rápida aos serviços competentes são, segundo a Prefeitura, as três medidas fundamentais.
Como a raiva se transmite
A transmissão ocorre principalmente pelo contato com a saliva de animais infectados — sobretudo pela mordida, mas também por arranhadura ou lambedura quando a saliva atinge feridas, olhos, nariz ou boca. O vírus viaja pelos nervos até o cérebro, em um percurso que pode levar de dias a meses dependendo do local da lesão; enquanto não chega, a vacinação e, se indicado, o soro antirrábico impedem a doença. Depois que os sintomas aparecem — febre, agitação, dificuldade de engolir, paralisia —, não há tratamento eficaz.
É por isso que a orientação da Prefeitura insiste na rapidez. "Se uma pessoa for mordida, arranhada ou tiver contato com a saliva de animal suspeito em feridas, olhos, nariz ou boca, deve lavar imediatamente o local com água corrente e sabão e procurar uma Unidade de Saúde o mais rápido possível. O atendimento deve ser feito mesmo quando a lesão parecer pequena ou não estiver visível, especialmente em situações envolvendo morcegos ou outros animais silvestres. Caso seja indicada a vacinação ou soro antirrábico, o tratamento não deve ser abandonado", alertou Natália Amaral Ambrósio, médica veterinária da Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a frase sobre lesão invisível é a mais importante do comunicado. "Mordida de morcego é pequena, às vezes não deixa marca, e a pessoa acorda sem saber que foi mordida. É exatamente nesses casos que a raiva mata, porque ninguém procura o posto. A orientação de Araras é clara: contato com morcego, mesmo sem ferida visível, é caso de UBS. Água, sabão e vacina custam nada; a doença, depois dos sintomas, não tem volta", avalia.
Morcego caído: não toque, avise o CCZ
Morcegos são animais silvestres protegidos por lei e exercem função ambiental importante — polinização, dispersão de sementes, controle de insetos — e, por isso, não devem ser mortos, capturados ou manipulados pela população. Mas um morcego fora do comportamento normal é sinal de alerta: caído no chão, voando durante o dia, dentro de imóveis, morto em local acessível ou em contato com pessoas ou animais. Nesses casos, a orientação é não tocar no animal, não tentar capturá-lo com as mãos, isolar o local, afastar crianças e animais domésticos e comunicar o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) pelo WhatsApp (19) 3544-7754.
O CCZ recolhe o animal e o encaminha para exame; o resultado positivo para raiva dispara ações de bloqueio na área — busca de pessoas e animais que possam ter tido contato, vacinação e orientação.
Cães e gatos: vacinação gratuita no CCZ
A vacinação antirrábica de cães e gatos é a principal medida de prevenção no ambiente urbano e pode ser feita gratuitamente no CCZ de Araras, mediante agendamento prévio. Os tutores devem manter a vacinação em dia — a dose é anual — e evitar que os animais tenham contato com animais desconhecidos, silvestres ou de comportamento anormal. Em caso de mordida, arranhão ou contato de cães e gatos com morcegos ou animais suspeitos, a orientação é procurar o CCZ; se houver exposição de pessoas, a Unidade de Saúde.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a vacina do animal é a vacina da família. "Gato que caça morcego no quintal à noite é a porta de entrada da raiva na casa. Se o gato está vacinado, a cadeia para nele. Se não está, o gato adoece, morde a criança, e a família descobre a raiva do pior jeito. Vacinação gratuita, com agendamento, no CCZ: não há desculpa. O tutor que não vacina não está negligenciando o animal — está expondo quem mora com ele", observa.
O ciclo rural: morcego hematófago e rebanho
No meio rural, a raiva acomete animais de produção, especialmente herbívoros — bovinos, equinos, ovinos e caprinos. No estado de São Paulo, o principal transmissor para herbívoros é o morcego hematófago Desmodus rotundus, o morcego-vampiro, que se alimenta de sangue e ataca o gado à noite. Os produtores devem ficar atentos a sinais como isolamento, mudança de comportamento, andar cambaleante, tremores, salivação excessiva, dificuldade de locomoção, paralisia, decúbito e morte sem causa aparente.
Também é importante observar indícios de repasto sanguíneo: feridas pequenas e recorrentes, sangue escorrido no corpo do animal, lesões compatíveis com mordedura e repetição de ataques no rebanho. Em caso de suspeita, de ataques por morcegos hematófagos ou de possíveis abrigos desses animais, o produtor deve comunicar a Defesa Agropecuária Regional de Piracicaba pelo WhatsApp (19) 98274-6116 ou pelo e-mail eda.piracicaba@sp.gov.br. A vacinação do rebanho contra a raiva é a medida preventiva no campo.
Vacina e soro: o que a UBS faz
O atendimento a quem teve contato com animal suspeito segue protocolo do Ministério da Saúde. A equipe avalia o tipo de exposição — lambedura, arranhão, mordida superficial ou profunda —, o local do corpo e o animal envolvido, e decide entre observação, vacina ou vacina mais soro. A vacina antirrábica humana é aplicada em esquema de várias doses ao longo de semanas; o soro, com anticorpos prontos, é indicado nas exposições mais graves e aplicado em torno da ferida. Ambos são gratuitos e disponíveis nas unidades de referência do SUS. Interromper o esquema antes do fim — o que a veterinária Natália Ambrósio alerta para não fazer — deixa a pessoa desprotegida, porque a imunidade só se completa com todas as doses. Se o cão ou gato agressor puder ser observado por dez dias e permanecer saudável, a vacinação pode ser suspensa, o que reforça a importância de identificar o animal.
Por que a raiva ainda existe
A raiva humana transmitida por cães foi praticamente eliminada no Brasil graças a décadas de campanhas de vacinação canina — os casos humanos, hoje raros, vêm sobretudo de morcegos e de animais silvestres. Mas o vírus continua circulando na natureza, e a queda da cobertura vacinal em cães e gatos, observada em várias cidades após a pandemia, reabre o risco urbano. Cada ano sem campanha ampla é um ano em que a população de animais suscetíveis cresce.
Os canais de Araras
A Casa da Agricultura, na Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, atende pelo telefone (19) 3541-2558 para agendamento de vacinação antirrábica de cães e gatos, orientação sobre animais de companhia e comunicação de morcegos em situação de risco. O CCZ recebe comunicações pelo WhatsApp (19) 3544-7754. A Defesa Agropecuária Regional de Piracicaba atende suspeitas em animais de produção. E, para pessoas expostas, qualquer Unidade Básica de Saúde do município faz o atendimento inicial e o encaminhamento para vacinação.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o comunicado deveria virar campanha permanente. "Araras publicou orientação completa: urbano, rural, morcego, telefone de cada serviço. Isso é referência. O que falta é chegar a quem precisa — o produtor da zona rural, o tutor que nunca vacinou, a família que mora perto de mata. Uma campanha anual de vacinação antirrábica em posto volante, bairro a bairro, como se fazia há vinte anos, seria o complemento natural. A informação está pronta; a logística é o próximo passo", analisa.
A vacinação antirrábica de cães e gatos no CCZ de Araras é gratuita e feita mediante agendamento. Pessoas com suspeita de exposição ao vírus da raiva devem procurar imediatamente uma Unidade Básica de Saúde.



