A Secretaria Municipal da Saúde de Araras reforçou o alerta para a vacinação contra o sarampo depois da confirmação de novos casos da doença no estado de São Paulo. A cidade não registra casos desde 2019, mas a cobertura vacinal está abaixo da meta de 95% recomendada para bloquear a circulação do vírus: a primeira dose da tríplice viral está em 73,32%, e a segunda, em 71,03%. A vacina está disponível nas oito salas de vacinação das unidades básicas de saúde, de segunda a sexta-feira, das 7h30 às 15h30, sem agendamento. As informações são do portal Notícias de Araras.
"A transmissão ocorre principalmente por meio do contato direto com gotículas respiratórias expelidas por uma pessoa infectada quando ela tosse, espirra ou fala. Como é uma doença altamente contagiosa, o mais importante é que cada pessoa procure saber se sua vacinação está em dia", destacou Tavane Anselmo Malaguese, coordenadora do Setor de Vigilância em Saúde. Segundo ela, uma pessoa infectada pode transmitir o vírus a outras 18 não imunizadas.
Sete casos no estado, zero em Araras — por enquanto
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, sete casos de sarampo foram registrados no estado em 2026 até meados de julho, os dois últimos contabilizados em 30 de junho na capital. O número é pequeno, mas o vírus do sarampo é um dos mais contagiosos conhecidos — cada caso em população pouco vacinada tende a gerar dezenas de outros —, e a capital fica a menos de duas horas de Araras, com fluxo diário de trabalhadores, estudantes e viajantes.
A ausência de casos locais desde 2019 é resultado da imunidade acumulada, mas a cobertura de 73% deixa mais de um quarto das crianças sem a primeira dose — uma margem suficiente para que um caso importado se transforme em surto.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o número de 73% é o alarme. "Meta de 95%, cobertura de 73%. Isso significa que, numa turma de 30 crianças, oito não tomaram a primeira dose. O sarampo não precisa de mais do que isso. Araras teve sorte de não ter caso desde 2019 — mas sorte não é política de saúde. A Vigilância fez o certo em avisar antes de o vírus chegar, e não depois. Agora a responsabilidade é de cada família que está com a caderneta atrasada", avalia.
Por que a cobertura caiu
A queda da vacinação contra o sarampo não é exclusiva de Araras: é fenômeno nacional, agravado pela pandemia — que interrompeu rotinas de vacinação e desviou a atenção das famílias — e pela circulação de desinformação sobre vacinas nas redes sociais. Crianças nascidas entre 2020 e 2023 são a coorte com maior atraso no calendário, e é entre elas que a segunda dose, prevista aos 15 meses, mais falta. A recuperação dessa cobertura exige busca ativa — identificar, uma a uma, as crianças não vacinadas — e não apenas a oferta nas unidades.
O calendário: quem deve tomar e quando
A vacina tríplice viral (SCR) protege contra sarampo, caxumba e rubéola e está disponível para todas as pessoas sem esquema completo. O calendário prevê a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses; para quem tem de 5 a 29 anos e não completou o esquema, duas doses com intervalo mínimo de 30 dias; e, para trabalhadores da saúde, duas doses em qualquer idade. Adultos que não sabem se foram vacinados podem receber a vacina — não há risco em repetir a dose.
Sintomas e o que fazer
Os principais sintomas do sarampo são febre alta, erupção vermelha na pele — manchas que começam no rosto e descem pelo corpo —, olhos vermelhos, tosse e outros sinais de resfriado. Em crianças pequenas, desnutridas ou não vacinadas, a doença pode evoluir para pneumonia, encefalite e morte. Quem apresentar os sintomas deve procurar a unidade de saúde com máscara e informar a suspeita na recepção, para que seja isolado e o caso seja notificado à vigilância, que iniciará o bloqueio — vacinação de contatos — imediatamente.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o alerta chega no momento certo. "Meningite, febre maculosa, sarampo, dengue: Araras está fazendo em 2026 uma sequência de campanhas de vigilância que raramente se vê em cidade desse porte. O sarampo é a mais urgente porque a vacina existe, é gratuita, está em oito postos, e a cobertura está em 73%. Não há barreira de oferta; há barreira de atitude. A campanha existe para vencer essa barreira antes que o vírus vença", observa.
Como funciona o bloqueio quando aparece um caso
Se um caso de sarampo for confirmado em Araras, a Vigilância Epidemiológica aciona o bloqueio vacinal: identifica todos os contatos do doente — familiares, colegas de escola ou trabalho, pessoas que frequentaram os mesmos ambientes — e os vacina em até 72 horas, prazo em que a vacina ainda impede a doença em quem foi exposto. O bloqueio pode se estender ao quarteirão, ao bairro ou à cidade inteira, conforme a avaliação de risco, e mobiliza equipes de casa em casa. É uma operação cara e intensa — que a cobertura de 95% tornaria desnecessária, porque o vírus não encontraria a quem infectar.
Quem não pode tomar — e quem precisa de dose extra
A tríplice viral é feita com vírus atenuados e, por isso, é contraindicada a gestantes, a pessoas com imunidade gravemente comprometida e a bebês com menos de seis meses. Em situação de surto, o Ministério da Saúde autoriza a chamada "dose zero" para bebês de seis a onze meses, que não substitui as doses de 12 e 15 meses. Mulheres que planejam engravidar devem se vacinar antes; gestantes não vacinadas dependem da imunidade das pessoas ao redor — mais um motivo para que a cobertura geral seja alta.
As oito salas de vacina
A tríplice viral está disponível no Centro de Saúde João Geraldo Noronha, na Rua Campos Salles, 33, no Jardim Belvedere; na ESF Dr. Edmundo Ulson, na Rua Ângelo Francato, 393, no Parque Tiradentes; no PAM Ênio Vitali, na Rua França, 99, no Jardim Piratininga; na UBS Dr. Antônio Simões Pontes, na Avenida João Rossi, 1051, no Jardim Aeroporto; na UBS Antônio Carlos Fabricio, na Avenida Lourenço Batistela, no Jardim José Ometto I; na UBS Oswaldo Salvador Devitte, na Avenida Presidente Costa e Silva, 27, no Narciso Gomes; na ESF Francisco Cascelli, na Rua Melânia Baraldi Maróstica, no Parque das Árvores; e na ESF Vital Pacífico Homem, na Rua Irineu Carroci, 1469, no José Ometto IV — esta última inaugurada em julho, com R$ 25.824 de emenda parlamentar para geladeiras, ar-condicionado e computador. Todas funcionam de segunda a sexta, das 7h30 às 15h30.
Para quem tem dúvida sobre o próprio esquema vacinal, a orientação é levar a caderneta a qualquer uma das oito salas; sem caderneta, a equipe consulta o registro no sistema nacional de imunizações e, se não houver comprovação, aplica a dose.
Multivacinação: a segunda chance
Em agosto, a cidade realizou o Dia D de Multivacinação, que imunizou mais de 1.100 pessoas, e manteve a campanha nas escolas — oportunidade para atualizar a caderneta de crianças e adolescentes com todas as vacinas em atraso, inclusive a tríplice viral. A vacinação nas escolas é a estratégia mais eficaz de busca ativa: alcança as crianças onde elas estão, com autorização dos pais, sem depender de ida ao posto.
O que está em jogo
O Brasil perdeu, em 2019, o certificado de eliminação do sarampo após surtos importados, e o recuperou depois de anos de campanha. Cada caso confirmado hoje é tratado como emergência de saúde pública, com bloqueio vacinal em raio ampliado. Para Araras, evitar o primeiro caso desde 2019 depende de fechar a lacuna entre 73% e 95% — cerca de 22 pontos percentuais, o equivalente a milhares de crianças e jovens.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a meta deveria ser tratada como obra. "Cobertura vacinal é indicador que a Prefeitura controla: tem a vacina, tem o posto, tem a lista de nascidos. Falta ir buscar. Agente de saúde na porta, escola chamando pai, mensagem no WhatsApp da UBS. De 73% para 95% não se chega com nota no site; se chega com nome e endereço. A cidade que zera fila de aparelho auditivo consegue zerar fila de vacina", analisa.
A vacina tríplice viral está disponível gratuitamente nas oito salas de vacina de Araras. Informações pelo telefone 3543-1522, da Secretaria Municipal da Saúde.


