A Prefeitura de Araras iniciou em janeiro o processo de migração da telefonia analógica para a digital, acompanhando a modernização das telecomunicações no país — a rede analógica de telefonia fixa será descontinuada no Brasil até 2028. Segundo o Departamento de Tecnologia da Informação, o DTI, a migração é gradual, para garantir a continuidade dos serviços. Na primeira etapa são substituídas as linhas de tronco principal — os troncos de PABX DDR — de prédios estratégicos: o Paço Municipal, as secretarias de Saúde, Educação e Segurança Pública, o Departamento de Transporte Interno e Manutenção e o Centro de Atendimento às Especialidades Médicas Doutor Nelson Salomé, o CAEM. As informações são do portal Notícias de Araras.
Na sequência, serão migradas as linhas de atendimento de três dígitos — 192 do Samu, 153 da Guarda Civil Municipal, 156 do Atendimento ao Cidadão e 199 da Defesa Civil — e, depois, as linhas convencionais individuais dos demais setores. Durante o processo podem ocorrer interrupções pontuais em razão de ajustes técnicos; as equipes das prestadoras e a equipe técnica do DTI trabalham para minimizar impactos ao longo do ano.
Por que a telefonia analógica acaba
A rede telefônica comutada tradicional — cobre, centrais analógicas e digitais TDM — foi construída ao longo do século 20 e é cara de manter; com o fim das concessões de telefonia fixa em 2025, as operadoras deixaram de ter obrigação de sustentá-la, e a Anatel autorizou a migração para redes IP, com desligamento das centrais antigas até 2028. Telefonia passa a trafegar como dados — VoIP — pela fibra e pela banda larga. Para órgãos públicos, significa trocar PABX físico por central virtual, ramais IP e troncos SIP, com custo menor por chamada e recursos de gravação, fila e integração com sistemas.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a migração é obrigatória e é oportunidade. "A Prefeitura não escolheu — a rede analógica vai ser desligada em 2028 e quem não migrar fica sem telefone. Mas migrar bem é escolha: central virtual, ramal no computador e no celular, gravação de chamada no 156, fila inteligente no Samu, relatório de atendimento. Kirk Moriama e o DTI começaram pelo lugar certo — os troncos dos prédios críticos — e vão aos números de emergência depois, com cuidado. O risco é o 192 e o 153 caírem numa madrugada de troca. A Prefeitura avisou que pode haver interrupção pontual; que a interrupção não seja no Samu", avalia.
Troncos PABX DDR: a primeira etapa
Um tronco DDR — Discagem Direta a Ramal — é a linha que conecta o PABX de um prédio à rede pública, permitindo que cada ramal tenha número externo próprio; substituí-lo por tronco SIP sobre fibra é o núcleo da migração. Paço, Saúde, Educação, Segurança, DTIM e CAEM concentram o maior volume de ramais e chamadas — por isso vão primeiro: o ganho de custo é imediato e a equipe aprende antes de mexer nos números de emergência.
192, 153, 156, 199: os números críticos
O Samu, a GCM, a Ouvidoria e a Defesa Civil atendem chamadas de urgência 24 horas; migrar seus números exige redundância — link duplo, energia de backup, encaminhamento para celular em caso de falha — e teste fora do horário de pico. A segunda etapa, prevista após os troncos, é a mais sensível do cronograma; o DTI a programou para o meio do ano, com as prestadoras de plantão.
VoIP: o que muda na prática
Chamada entre secretarias vira tráfego interno sem custo; ramal pode ser atendido no computador ou no celular do servidor; gravação, fila e URA — "digite 1 para..." — passam a ser configuráveis; a conta de telefone cai, tipicamente, pela metade. Para o cidadão, o número é o mesmo; a diferença é qualidade e disponibilidade — se a rede de dados estiver bem dimensionada.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a migração conecta-se ao Tributos na nuvem e ao app da cidade. "Em 2026, o DTI de Araras levou o sistema tributário para a nuvem, migrou a telefonia para IP e sustenta os cadastros online — é a infraestrutura digital da Prefeitura sendo refeita ao mesmo tempo. Ninguém vê, e tudo depende disso: nota fiscal, IPTU, 156, Samu. Kirk Moriama tem um ano para trocar telefone de todos os prédios sem derrubar emergência. Se conseguir, Araras terá central de atendimento moderna em 2027 e conta menor. É modernização de bastidor — a que mais falha quando é mal feita e a que menos aparece quando dá certo", observa.
Prestadoras e DTI: a execução
A migração é feita pelas operadoras contratadas — que instalam links e troncos SIP — com o DTI configurando centrais, ramais e roteamento, prédio a prédio. Interrupções pontuais acontecem no momento da troca; a orientação aos setores é manter celular de contingência e avisar o público em caso de instabilidade.
2028: o prazo nacional
A Anatel fixou 2028 como horizonte para o desligamento das redes analógicas e a migração completa para IP, com as operadoras redirecionando investimentos a fibra e móvel; prefeituras, hospitais e empresas com PABX antigo precisam migrar até lá. Araras começou em 2026 para ter dois anos de folga.
Orelhões: o outro fim de era
No mesmo mês, a Anatel autorizou a retirada dos orelhões de todo o país — Araras ainda tinha 104 —, encerrando outro capítulo da telefonia fixa; a migração da Prefeitura e a remoção dos telefones públicos são faces da mesma transição para o celular e a fibra.
CAEM Nelson Salomé: por que está na primeira etapa
O Centro de Atendimento às Especialidades Médicas Doutor Nelson Salomé concentra consultas de especialistas, exames e agendamentos da saúde municipal — é o prédio com maior volume de ligações de pacientes fora do Centro de Saúde, e o que mais sofre com linha ocupada e chamada perdida. Colocá-lo entre os primeiros a migrar, ao lado das secretarias, permite implantar fila de atendimento, gravação e retorno automático de chamadas — recursos que o PABX analógico não oferece e que reduzem a reclamação mais comum do usuário do SUS local: "ninguém atende".
Redundância: como não derrubar o 192
A migração de números de emergência segue protocolo: link principal de fibra e link de contingência por outra operadora ou rádio; nobreak e gerador na central; encaminhamento automático para celulares da equipe se a central cair; e janela de troca em horário de menor demanda, com a linha antiga mantida em paralelo até a nova estar validada. O DTI e as prestadoras aplicam esse roteiro a cada número — 192, 153, 156, 199 —, um por vez, com teste de chamada de dentro e de fora da cidade antes de desligar o analógico. É o que separa migração bem feita de madrugada sem Samu.
Custo e economia
A conta de telefonia de prefeituras do porte de Araras chega a centenas de milhares de reais por ano; a migração para VoIP reduz tarifas e elimina manutenção de PABX físico, com retorno em poucos anos. O DTI estima economia relevante após a conclusão, ainda sem número divulgado.
O que o cidadão deve saber
Os números não mudam — 156, 192, 153, 199 e os das secretarias seguem os mesmos. Em caso de linha muda ou chamada não completada durante a migração, a orientação é tentar novamente, usar o WhatsApp da Ouvidoria ou, em emergência, o 190 e o 193, que são estaduais e não passam pela migração municipal.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a notícia é pequena e a consequência é grande. "Trocar o telefone da Prefeitura parece detalhe. Não é: é o 192 do Samu, o 153 da Guarda, o 156 que o morador liga para reclamar do buraco. A migração para digital é obrigatória, barata e boa — se for bem feita. O DTI de Araras está fazendo em etapas, avisando, começando pelos prédios e deixando emergência para depois. É o jeito certo. Em 2028, quando a rede analógica for desligada no Brasil, Araras já estará no digital há dois anos. Quem começa cedo não passa aperto", analisa.
A migração da telefonia analógica para digital na Prefeitura de Araras começou em janeiro de 2026, conduzida pelo Departamento de Tecnologia da Informação, com previsão de execução gradual ao longo do ano. A rede analógica de telefonia fixa será descontinuada no Brasil até 2028.

