A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Araras, por meio da Coordenadoria de Gestão Energética e em parceria com a Secretaria de Assistência Social, realiza um ciclo de palestras sobre o uso seguro e eficiente da energia elétrica nas residências. A iniciativa é voltada às famílias atendidas pelos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e tem objetivo direto: ensinar práticas que reduzam a conta de luz sem comprometer conforto e segurança. Segundo a coordenadoria, mudanças simples de hábito — apagar luzes ao sair do ambiente, usar o chuveiro de forma correta — podem reduzir a fatura entre 10% e 20% ao mês. As informações são do portal Notícias de Araras.

A primeira palestra aconteceu no Cras Leste, na Avenida Lourenço Batistela, 472, no Jardim José Ometto I, na segunda-feira (17), às 13h. Os encontros seguintes foram marcados para o Cras Sul, na Avenida Castelo Branco, 658, no Conjunto Habitacional Narciso Gomes, em 31 de agosto, e para o Cras Norte, na Rua José Dezotti, 182, no Jardim Alvorada, em 2 de setembro — ambos às 9h.

Por que nos Cras

A escolha do público não é casual. As famílias atendidas pelos Cras são, em geral, as de menor renda do município — beneficiárias do Cadastro Único, do Bolsa Família e de programas de assistência. Para elas, a conta de luz tem peso proporcionalmente maior no orçamento do que para a classe média, e uma redução de 10% a 20% representa dinheiro que faz diferença no fim do mês. Ao mesmo tempo, são famílias com menos acesso a informação sobre eficiência energética e, muitas vezes, com instalações elétricas antigas ou improvisadas, o que soma risco de acidente ao desperdício.

Levar a palestra ao Cras, em vez de esperar que o morador procure a Prefeitura, é o que garante que a informação chegue a quem mais precisa dela. É o mesmo raciocínio da Tarifa Social de Energia Elétrica — o desconto federal na conta de luz para famílias de baixa renda inscritas no CadÚnico —, que muitos beneficiários em potencial desconhecem e que os Cras ajudam a divulgar.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o programa acerta no alvo. "Palestra sobre economia de energia para quem já economiza por necessidade parece redundante — e não é. A família de baixa renda gasta mais com chuveiro elétrico porque não tem alternativa, deixa a geladeira velha porque não pode trocar, e paga a tarifa cheia porque não sabe da Tarifa Social. Cada uma dessas coisas tem solução, e a maioria é conhecimento, não dinheiro. Levar isso ao Cras é política pública barata com retorno mensal", avalia.

Chuveiro, geladeira, luz: onde a conta pesa

Nas residências brasileiras, o chuveiro elétrico é, isoladamente, o maior vilão da conta de luz — responde por cerca de um quarto a um terço do consumo em casas que o utilizam, segundo levantamentos do Procel, o programa nacional de conservação de energia. Reduzir o tempo de banho, usar a posição "verão" nos meses quentes e evitar o horário de pico são as medidas de maior impacto. A geladeira vem em seguida: aparelhos antigos, com borracha de vedação gasta ou instalados perto do fogão, consomem muito mais do que o necessário.

A iluminação, embora represente parcela menor, é onde o hábito mais conta — luz acesa em cômodo vazio é desperdício puro —, e a troca de lâmpadas incandescentes ou fluorescentes por LED reduz esse consumo em até 80%. Aparelhos em modo de espera, o chamado "stand-by", somam-se ao longo do mês. É esse conjunto de práticas que as palestras apresentam, com exemplos concretos de quanto cada mudança representa em reais.

Segurança: o outro lado da eficiência

O ciclo trata de uso "seguro e eficiente" — e a primeira palavra importa tanto quanto a segunda. Instalações elétricas sobrecarregadas, "gambiarras" com benjamins e extensões, chuveiros com fiação inadequada e fios desencapados são causas frequentes de incêndio residencial e de choques, especialmente em moradias de autoconstrução. Orientar sobre o dimensionamento dos circuitos, a importância do disjuntor e do aterramento e os sinais de perigo — cheiro de queimado, tomada quente, disjuntor que desarma — é parte do conteúdo.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a segurança é o argumento que muda comportamento. "Economia convence quem faz conta. Segurança convence todo mundo, porque ninguém quer a casa pegando fogo. Uma palestra que mostra a foto do chuveiro com fio derretido e explica que a mesma correção que evita o incêndio também baixa a conta tem o dobro de efeito. Araras juntou as duas coisas no mesmo programa, e é assim que se faz educação para adulto", observa.

Agentes multiplicadores

A aposta da coordenadoria é que o conhecimento se espalhe além dos participantes. "Ter a oportunidade de passar esses conhecimentos sobre o uso seguro e eficiente de energia aos nossos munícipes tem muita importância, porque conhecimento compartilhado se multiplica. Além de colocar em prática o que aprendem nas palestras, eles passam as informações para familiares e amigos e se transformam em agentes multiplicadores. Isso gera economia para as famílias e um consumo mais sustentável", enfatizou Junior Salviatto, diretor da Coordenadoria de Gestão Energética.

O raciocínio tem base: em comunidades de baixa renda, a informação circula mais por vizinhança e família do que por canais formais. Uma dona de casa que aprende a reduzir a conta em R$ 30 conta para a irmã, para a vizinha, para o grupo da igreja — e o efeito de uma palestra com 30 pessoas pode alcançar centenas.

Uma coordenadoria de energia na Prefeitura

A existência de uma Coordenadoria de Gestão Energética dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico é, por si, um dado. Poucos municípios do porte de Araras têm estrutura dedicada ao tema, que costuma ficar diluído entre obras e administração. A coordenadoria cuida do consumo dos prédios públicos, da iluminação pública — a Prefeitura vem trocando lâmpadas em praças e centros esportivos — e, como mostra o ciclo de palestras, da educação da população. É uma função que ganha relevância com o aumento das tarifas e com a transição para fontes renováveis.

O precedente da Santa Casa: mil lâmpadas e 40% de economia

A mesma coordenadoria tem um resultado concreto para mostrar. Em 2022, por articulação junto à Neoenergia Elektro, a Santa Casa de Araras recebeu a substituição de aproximadamente mil lâmpadas fluorescentes por LED, com recursos do Programa de Eficiência Energética (PEE) da distribuidora — o que reduziu em 40% o consumo de energia destinado à iluminação dos 317 ambientes do hospital. Em agosto de 2026, Prefeitura, Santa Casa e uma empresa de consultoria voltaram a se reunir para preparar a participação do hospital em nova chamada pública do PEE, agora com foco em equipamentos e em fontes renováveis, como energia solar.

O PEE é financiado pela obrigação legal de toda distribuidora de energia aplicar 0,5% de sua receita operacional líquida em eficiência energética; para órgãos públicos e entidades filantrópicas, os recursos são a fundo perdido. É o mesmo raciocínio das palestras nos Cras, em outra escala: reduzir o consumo de quem mais precisa, com dinheiro que já existe no sistema.

Energia, clima e a conta que vem

O momento reforça a urgência. O sistema de bandeiras tarifárias, que encarece a conta quando as hidrelétricas produzem menos, tende a ser acionado em períodos de seca — e o El Niño previsto para 2026-2027 traz risco de chuva irregular em parte do país. Reduzir o consumo é, para a família, proteção contra a bandeira vermelha; para o sistema, é menos pressão sobre a geração térmica, mais cara e mais poluente.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o programa deveria virar rotina. "Três palestras em três Cras é um bom começo, mas energia é assunto de todo mês, não de agosto. Se a coordenadoria transformar isso em calendário permanente — uma palestra por Cras a cada trimestre, com a conta de luz do morador na mão para análise —, Araras terá um programa de eficiência energética de base que a maioria das cidades só tem no papel. O custo é o salário de quem já está lá. O retorno é na conta de cada família", analisa.

Famílias atendidas pelos Cras de Araras podem obter informações sobre as próximas palestras e sobre a Tarifa Social de Energia Elétrica nas unidades Leste, Sul e Norte. A Coordenadoria de Gestão Energética não informou se o ciclo será estendido a outros equipamentos públicos ou repetido em 2027.