A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico de Araras, por meio da Coordenadoria de Gestão Energética e em parceria com a Secretaria de Assistência Social, realiza um ciclo de palestras sobre o uso seguro e eficiente da energia elétrica nas residências. A iniciativa é voltada aos munícipes atendidos pelos Centros de Referência de Assistência Social e tem como objetivo orientar as famílias sobre práticas que reduzem a conta de luz sem comprometer conforto e segurança. A primeira palestra é na segunda-feira (17), às 13h, no Cras Leste; as seguintes, no Cras Sul e no Cras Norte, em 31 de agosto e 2 de setembro, às 9h. As informações são da Prefeitura de Araras.
Durante os encontros, são apresentadas ações práticas de consumo consciente por mudança de hábitos: desligar as luzes ao sair do ambiente e usar o chuveiro de forma correta, por exemplo, podem reduzir as faturas entre 10% e 20% ao mês. "Ter a oportunidade de passar esses conhecimentos sobre o uso seguro e eficiente de energia aos nossos munícipes tem muita importância, porque conhecimento compartilhado se multiplica. Além de colocar em prática o que aprendem nas palestras, eles passam as informações para familiares e amigos e se transformam em agentes multiplicadores. Isso gera economia para as famílias e um consumo mais sustentável", enfatizou Junior Salviatto, diretor da Coordenadoria de Gestão Energética.
Por que nos Cras
Os Centros de Referência de Assistência Social atendem famílias em vulnerabilidade — beneficiárias do Bolsa Família, do BPC, de programas municipais —, para as quais a conta de luz é proporcionalmente o maior peso entre as despesas fixas. Uma redução de 10% a 20% na fatura de uma família que gasta R$ 150 por mês em energia é R$ 15 a R$ 30 — o equivalente a uma cesta de hortifrúti. Levar a palestra ao Cras é falar com quem mais precisa da economia, no lugar em que já é atendido.
Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a ação combina duas secretarias que raramente trabalham juntas. "Desenvolvimento Econômico cuida de empresa e emprego; Assistência Social cuida de família vulnerável. Aqui, a Coordenadoria de Gestão Energética — que existe para reduzir a conta de luz da Prefeitura — vai ao Cras ensinar a família a reduzir a dela. É o técnico de eficiência energética do município fazendo educação popular. Dez a vinte por cento de economia na conta de quem ganha um salário mínimo é política de renda disfarçada de palestra. E custa o tempo de um servidor", avalia.
Chuveiro: o vilão da conta
O chuveiro elétrico responde por 25% a 35% do consumo de uma residência brasileira típica — é o aparelho de maior potência da casa. Usar a posição "verão" quando possível, reduzir o tempo de banho, não deixar a água correr enquanto se ensaboa e manter a resistência em bom estado são as medidas de maior impacto. Uma família de quatro pessoas que reduz o banho de 15 para 8 minutos e usa a posição menos quente economiza dezenas de reais por mês. É o primeiro item de qualquer palestra de eficiência.
Geladeira, luzes e standby
A geladeira é o segundo maior consumo: manter a borracha da porta vedando, não abrir sem necessidade, não colocar alimentos quentes e afastá-la da parede e do fogão reduzem o gasto. Trocar lâmpadas incandescentes e fluorescentes por LED corta o consumo de iluminação em até 80%. Aparelhos em standby — TV, micro-ondas, carregadores — somam de 5% a 10% da conta; desligar da tomada resolve. São mudanças de hábito, sem custo, que a palestra ensina.
Segurança: o "seguro" no título
O uso "seguro" da energia é tão importante quanto o eficiente para o público dos Cras: instalações antigas, gambiarras, extensões sobrecarregadas e chuveiros sem aterramento são causa de incêndios e choques em residências de baixa renda. A palestra orienta sobre disjuntores, fiação, tomadas e o risco de "gatos" — ligações clandestinas, que além de crime são a principal causa de eletrocussão em áreas periféricas.
Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a palestra deveria vir acompanhada de um cadastro. "A família que vai ao Cras ouvir sobre economia de energia é, quase sempre, a família que tem direito à Tarifa Social — desconto de até 65% na conta para quem está no CadÚnico e consome até 220 kWh. Muita gente não sabe e não pede. Se a Coordenadoria de Gestão Energética aproveitar a palestra para verificar quem tem direito e encaminhar o cadastro na CPFL, a economia deixa de ser 10% e vira 65%. É a pergunta que o servidor deveria fazer no fim de cada encontro: você já pediu a tarifa social?", observa.
Tarifa Social: o direito pouco usado
A Tarifa Social de Energia Elétrica, federal, dá desconto escalonado — 65% até 30 kWh, 40% de 31 a 100 kWh, 10% de 101 a 220 kWh — a famílias inscritas no CadÚnico com renda per capita de até meio salário mínimo, além de beneficiários do BPC e famílias com pessoa em tratamento que exija equipamento elétrico. Desde 2022, a inscrição é automática para quem está no CadÚnico, mas falhas de cruzamento de dados deixam famílias de fora; a orientação no Cras é o canal para corrigir.
Verão: ventilador, ar-condicionado e a bandeira
Com o calor de outubro a março, o ventilador e o ar-condicionado entram na conta — e o segundo pode dobrar a fatura de uma casa pequena. As orientações da palestra para essa época: preferir ventilador de teto ao ar-condicionado quando possível, manter o aparelho a 23 ou 24 graus em vez de 18, limpar filtros mensalmente e fechar portas e janelas do ambiente refrigerado. Somado à bandeira tarifária, que sobe quando as hidrelétricas produzem menos, o verão é o período em que a economia de hábito mais aparece no boleto.
Coordenadoria de Gestão Energética: o que faz
A coordenadoria, dentro da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, cuida da eficiência energética dos prédios e da iluminação pública do município — troca de lâmpadas por LED, revisão de contratos com a distribuidora, projetos de energia solar em equipamentos públicos. O ciclo de palestras estende esse conhecimento técnico às famílias: o mesmo servidor que reduz a conta da Prefeitura ensina a reduzir a da casa.
Agentes multiplicadores: a aposta
A estratégia citada por Salviatto — transformar participantes em multiplicadores — é a que dá escala a ações de educação: cada família que aprende leva a vizinhos e parentes. Nos Cras, onde há grupos de convivência e reuniões regulares, a informação circula. É modelo barato e de efeito difuso, difícil de medir e, por isso, pouco valorizado — mas é o que muda hábito.
Os três Cras
O Cras Leste fica na Avenida Lourenço Batistela, no Jardim José Ometto I; o Cras Norte, na Avenida Castelo Branco, no Conjunto Habitacional Narciso Gomes; o Cras Sul atende a região sul. Cada um cobre um território e mantém cadastro das famílias referenciadas — o público-alvo das palestras. Os encontros são abertos aos usuários do respectivo Cras, sem inscrição.
Energia e clima: a conexão
Reduzir o consumo doméstico é, além de economia, medida ambiental: menos demanda significa menos acionamento de termelétricas nos períodos de seca — quando as hidrelétricas produzem menos e a bandeira tarifária sobe. Com El Niño e risco de seca no Norte e no Nordeste no fim do ano, a bandeira vermelha é possibilidade, e cada quilowatt economizado pesa duas vezes: na conta e na matriz.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o ciclo é o tipo de ação que não aparece e funciona. "Três palestras em três Cras, um servidor técnico, famílias que vão sair sabendo que o chuveiro na posição verão e a geladeira longe do fogão economizam R$ 30 por mês. Não tem inauguração, não tem placa. Tem conta de luz menor em setembro. A Prefeitura de Araras está fazendo educação financeira e ambiental para quem mais precisa, com quem mais entende. Se cada Cras somar a tarifa social à palestra, o resultado será o programa de transferência de renda mais barato da cidade", analisa.
O ciclo de palestras sobre uso seguro e eficiente de energia elétrica da Prefeitura de Araras acontece em 17 de agosto (Cras Leste, 13h), 31 de agosto (Cras Sul, 9h) e 2 de setembro de 2026 (Cras Norte, 9h). Participação aberta aos usuários dos Cras.




