O Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras (Saema) divulgou um cronograma anual para a execução do serviço de dedetização da rede pública de esgoto — o "mata-barata", como é conhecido pela população. O calendário vai de setembro de 2026 a setembro de 2027 e distribui ao longo desse período todos os bairros e regiões da cidade, garantindo que cada um receba o serviço ao menos uma vez no ciclo. A programação foi apresentada pela autarquia no fim de agosto, segundo o portal Notícias de Araras.

A mudança é de método. Até aqui, o serviço era executado principalmente em resposta a reclamações — as equipes iam onde os moradores relatavam infestação. Com o cronograma, o Saema adota uma lógica de rotina: percorre a cidade inteira em ordem definida e mantém capacidade de reserva para reforçar os pontos que apresentarem maior necessidade. "Nosso objetivo é sair de uma lógica apenas de resposta e trabalhar cada vez mais com planejamento", resumiu o presidente executivo da autarquia, Júnior Franco.

Por que se dedetiza a rede de esgoto

A rede pública de esgoto é o principal habitat da barata americana, a espécie de maior porte encontrada nas cidades brasileiras. O ambiente úmido, escuro e rico em matéria orgânica oferece alimento e abrigo, e as tubulações funcionam como corredores que conectam todos os imóveis de um bairro. É por isso que o controle feito casa a casa tem efeito limitado: o inseto eliminado em uma residência é reposto pela população que vive na rede e sobe pelos ralos e caixas de gordura.

"O serviço de mata-barata é realizado na rede pública de esgoto e tem papel importante no controle de baratas e outros insetos. Por isso, a continuidade do trabalho é fundamental: em vez de concentrar esforços somente nos locais onde surgem reclamações, o planejamento anual permite estabelecer uma rotina de atendimento e, ao mesmo tempo, manter capacidade para reforçar os serviços nos pontos que apresentarem maior necessidade", explicou Franco.

A aplicação do produto nos poços de visita e nos trechos da rede atinge a população de insetos na origem, com efeito que se estende a todo o bairro conectado àquele segmento. Feita de forma regular, a intervenção impede que a colônia se recomponha entre uma aplicação e outra — o que só é possível com calendário fixo.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a decisão do Saema tem valor além do controle de pragas. "Sair do modelo de reclamação para o modelo de cronograma é uma mudança de cultura em serviço público. Reclamação atende quem grita mais alto. Cronograma atende todo mundo, inclusive o bairro onde ninguém liga para a ouvidoria. É simples, é barato e é justo. Deveria ser o padrão de qualquer serviço de manutenção urbana", avalia.

O calendário, região por região

O cronograma começou em 1º de setembro pela região Sul II. Entre os dias 1º e 15, estão previstos atendimentos no Jardim Flamboyant, Jardim 8 de Abril, Jardim Bela Vista, Jardim Copacabana, Jardim Dalla Costa, Jardim Geny Mercatelli, Jardim Versalles, Jardim Ypês, Sítio de Recreio Maria Rosa, Jardim Planalto, Jardim Esplanada, Terra Nobre e José Viel Filho.

Na segunda quinzena de setembro, entre os dias 15 e 30, o trabalho segue pela região Sul I, contemplando Jardim Belvedere, Vila Dona Rosa Zurita, Vila São Jorge, Condomínio Arnaldo Mazon, Jardim Marabá, Jardim Santa Catarina, Narciso Gomes e Parque Industrial.

Em outubro, a programação avança para a região central: Vila Pastorello, Vila Queiroz, Jardim Anhanguera e Jardim do Trevo na primeira quinzena; Jardim Rollo, Jardim São Benedito e Vila Bressan na segunda. Em novembro, será atendida a região Sudoeste, e em dezembro, a região Oeste.

Em 2027, os trabalhos seguem para a região Norte I em janeiro, Norte II em fevereiro, Nordeste I e II em março, Leste em abril e uma nova etapa da região Sudoeste em maio. Os meses de junho, julho e agosto ficam reservados a reforços operacionais, atendimentos em áreas que demandarem nova intervenção e ações complementares, fechando o ciclo em setembro de 2027.

Planejamento sem engessamento

Um ponto destacado pela autarquia é que o cronograma não impede atendimentos fora da programação. Além do calendário, o Saema poderá realizar serviços complementares e reforços de acordo com a necessidade operacional, especialmente em locais onde for constatada maior demanda ou infestação. "Também reservamos os meses de junho, julho e agosto justamente para reforços operacionais, atendimentos em áreas que demandarem nova intervenção e ações complementares", acrescentou Franco.

A reserva de três meses para reforços é uma escolha de desenho relevante. Ela reconhece que a infestação não se distribui de forma uniforme pela cidade — bairros mais antigos, com rede mais deteriorada, ou áreas próximas a estabelecimentos de alimentação tendem a exigir mais atenção — e cria uma janela para atender essas demandas sem desorganizar a rotina dos demais.

Registro e histórico das intervenções

Outra novidade é o acompanhamento. O cronograma prevê o registro dos serviços executados, com informações como bairro, data, rua e equipe responsável. Esse histórico permitirá ao Saema avaliar a necessidade de retornos ou reforços em determinadas localidades e, com o tempo, identificar padrões — quais regiões voltam a apresentar infestação mais rapidamente, em que época do ano a demanda cresce, onde a rede pode estar com problemas estruturais que favorecem a proliferação.

"Com o cronograma, a população consegue saber quando a região será contemplada e o Saema consegue organizar as equipes, registrar o que foi realizado e retornar aos locais que necessitarem de reforço", disse o presidente executivo. Para o morador, a mudança é concreta: em vez de ligar e esperar, ele pode consultar o calendário e saber em que quinzena seu bairro receberá o serviço.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o registro é a parte mais importante do pacote. "Cronograma sem registro é promessa. Com registro, vira dado: dá para saber se a equipe passou mesmo, quanto tempo levou, se o bairro voltou a reclamar depois. Em um ano, o Saema vai ter um mapa de onde a barata resiste e onde não resiste. Isso orienta investimento em rede, não só em veneno", observa.

O que o morador pode fazer para ajudar

A dedetização da rede pública resolve a origem do problema, mas não substitui os cuidados dentro dos imóveis. Ralos com tampa ou fechamento, caixas de gordura limpas e bem vedadas, lixo ensacado e frestas em paredes e rodapés vedadas reduzem as portas de entrada dos insetos que eventualmente escapem da rede. Nos dias em que o serviço passa pelo bairro, é comum que baratas apareçam nas ruas e calçadas ao fugir do produto — o que é sinal de que a aplicação funcionou, e não de que a infestação aumentou.

Moradores que identificarem infestação persistente após a passagem do cronograma podem acionar os canais de atendimento do Saema, que avaliará a necessidade de reforço na área — exatamente o tipo de demanda para a qual os meses de junho a agosto foram reservados.

Saneamento como serviço contínuo

O cronograma do mata-barata se soma a outras iniciativas recentes do Saema, como o programa de renovação de redes de água e a troca de tubulações antigas em diferentes bairros — ações que ajudaram Araras a alcançar a 49ª posição em saneamento básico no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026, a melhor colocação da cidade entre todos os indicadores avaliados.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o conjunto forma um padrão. "Troca de rede, cronograma de dedetização, registro de serviço, ranking nacional em saneamento. Não é coincidência, é gestão. O Saema está tratando esgoto como infraestrutura que precisa de manutenção programada, e não como problema que se resolve quando alguém reclama. É o tipo de mudança silenciosa que a população só percebe quando compara com a cidade vizinha", analisa.

O Saema informou que o cronograma poderá sofrer adequações conforme as condições operacionais e as necessidades identificadas pelas equipes ao longo da execução, mantendo como prioridade a continuidade do atendimento em todas as regiões programadas. O calendário completo está disponível nos canais oficiais da autarquia.