A Prefeitura de Araras reabriu o ecoponto da cidade — o local destinado ao descarte de resíduos de construção, restos vegetais, móveis velhos e objetos inservíveis — após um ano e meio fechado por falta de capacidade. Localizado na Rua Virgílio Salviato, 2.550, no Parque Tiradentes, na região Leste, o espaço voltou a receber materiais em 16 de julho, depois que uma licitação permitiu retirar mais de 3 mil metros cúbicos de material acumulado. No mesmo período, a Secretaria de Serviços Públicos informou que 2026 já soma 72 infrações e 45 notificações por descarte irregular de entulho em vias e áreas públicas — infração punida com multa de 60 UFESP, R$ 2.221,20, que chega a 100 UFESP, R$ 3.702, quando o descarte ocorre em área de preservação ambiental. As informações são da Prefeitura de Araras.

A diferença entre infração e notificação está na gravidade e na identificação: a notificação é o aviso para regularizar; a infração, a multa aplicada a quem foi flagrado ou identificado. Em 2025, foram 142 infrações e 31 notificações. O número de 2026, no fim de julho, indica ritmo semelhante — e reforça a importância de o ecoponto estar funcionando: sem lugar para descartar, o entulho vai para o terreno baldio, a beira de estrada e a margem de córrego.

Por que o ecoponto fechou

O ecoponto funciona como estação de transferência: o morador deixa o material ali, e a Prefeitura o transporta periodicamente — o "transbordo" — para aterro ou reciclagem. Em setembro de 2024, o transbordo deixou de ser feito de forma recorrente, e o local atingiu a capacidade máxima de armazenamento. Em janeiro de 2025, a gestão suspendeu o recebimento de novos resíduos. "Não medimos esforços para conseguirmos caminhar com a licitação que possibilitou iniciarmos a remoção dos materiais. Foram longos meses de trabalho até iniciarmos o transbordo em abril desse ano", destacou Sandra Milaré, secretária de Serviços Públicos.

Até o fim de junho, a empresa vencedora da licitação havia retirado 2.170 metros cúbicos; a previsão era ultrapassar 3 mil metros cúbicos até 31 de julho. "O trabalho de retirada será recorrente e deixaremos o espaço em ordem, após um longo período sem conseguirmos transbordar", afirmou a secretária.

Para Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a sequência é reveladora. "O ecoponto lotou porque ninguém tirava o material. Fechou. Durante dezoito meses, o morador de Araras não teve onde descartar entulho legalmente — e a cidade registrou 142 infrações em 2025. Não é coincidência. Quando o serviço público falha, o descarte irregular cresce, e a Prefeitura multa o cidadão por um problema que ela mesma criou. A reabertura é a correção; o que não pode acontecer é o transbordo parar de novo", avalia.

Como usar o ecoponto

O ecoponto atende de segunda a sábado, das 7h às 11h e das 12h às 16h. Estão autorizados descartes que, somados, resultem em volume de até 1,5 metro cúbico — o equivalente a uma pequena reforma residencial ou à limpeza de um quintal. Aceita resíduos de construção (tijolo, concreto, argamassa, telha), restos vegetais (podas, folhas, grama), móveis velhos e "trecos" em geral. Para volumes maiores, a alternativa é contratar caçamba particular. Informações pelo telefone (19) 3544-1017, da Secretaria de Serviços Públicos.

O que pode e o que não pode

O ecoponto é destinado a resíduos volumosos e de construção — o que a coleta domiciliar não leva. Entram tijolo, telha, concreto, argamassa, azulejo, restos de poda e jardinagem, sofá, colchão, guarda-roupa, geladeira velha, madeira. Não entram lixo doméstico comum, que vai para a coleta regular; resíduos perigosos, como tinta, solvente, óleo e pilhas, que exigem descarte específico; nem resíduos de saúde ou industriais. Materiais recicláveis — papel, plástico, vidro, metal — devem seguir para a coleta seletiva. O limite de 1,5 metro cúbico por descarte existe para que o espaço atenda ao morador, e não a empresas de construção, que devem contratar caçamba e destinar o material a aterro licenciado.

Entulho vira agregado: o destino do material

O material retirado do ecoponto no transbordo tem destino diferente conforme o tipo. Resíduos de construção — tijolo, concreto, cerâmica — podem ser triturados e transformados em agregado reciclado, usado como base de pavimento e em obras de menor exigência estrutural; é uma cadeia que reduz a extração de areia e brita e o volume enviado a aterros. Restos vegetais podem ser compostados ou triturados para cobertura de solo. Móveis e volumosos, em geral, vão para aterro ou para triagem de madeira e metal. A licitação que regularizou o transbordo em Araras define para onde cada fração vai — e é o que permite à Prefeitura dizer que o ecoponto é destinação correta, e não apenas um depósito.

Multa: R$ 2.221 — ou R$ 3.702

O Código de Posturas do município fixa a multa por descarte irregular em 60 UFESP — a Unidade Fiscal do Estado de São Paulo, atualizada anualmente —, o que em 2026 corresponde a R$ 2.221,20. "Em caso de descarte feito em Área de Preservação Ambiental, o valor da multa pode aumentar, chegando a 100 UFESP, ou R$ 3.702,00", comentou Sandra Milaré. A infração é aplicada a quem for flagrado ou identificado — por câmera, testemunha ou material com identificação — descartando em ruas, avenidas, praças, parques e áreas verdes.

Além da multa, o descarte em área de preservação pode configurar crime ambiental, com apuração pela Polícia Ambiental — como ocorreu nesta semana com um proprietário rural autuado por corte de vegetação em reserva legal.

Denúncia: 156 e aplicativo

Descartes irregulares devem ser denunciados pelo telefone 156, da Ouvidoria Municipal, ou pelo aplicativo da Prefeitura de Araras, disponível para celulares Android. A denúncia com foto, local e, se possível, placa do veículo permite à fiscalização agir com rapidez. Muitas das 72 infrações de 2026 partiram de denúncias de moradores incomodados com o entulho acumulado em terrenos e esquinas do bairro.

Na leitura de Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a fiscalização precisa do serviço para funcionar. "Multar sem oferecer alternativa é injusto e ineficaz — o entulho continua aparecendo. Com o ecoponto aberto, a equação muda: existe o lugar certo, gratuito, seis dias por semana. Quem joga no terreno baldio agora está escolhendo. Aí a multa de R$ 2.221 faz sentido, e a denúncia do vizinho também. O ecoponto é o que dá legitimidade à fiscalização", observa.

Entulho e saúde pública

O descarte irregular de entulho não é só problema estético. Restos de construção e móveis abandonados acumulam água e viram criadouros do Aedes aegypti — os mutirões contra a dengue em Araras recolhem, a cada bairro, pneus, vasos e "ferro-velho" justamente por isso. Entulho em galeria e córrego obstrui a drenagem e agrava alagamentos, preocupação crescente com o El Niño previsto para o verão. E terrenos com entulho atraem ratos, escorpiões e mais entulho, em um ciclo que degrada o bairro.

O que falta: coleta programada e mais pontos

Um único ecoponto, na região Leste, atende a cidade inteira — o que significa deslocamento longo para quem mora no Norte ou no Sul. Cidades de porte semelhante costumam ter dois ou três pontos, ou serviço de coleta programada de entulho e volumosos por agendamento. Com o transbordo regularizado e o ecoponto funcionando, o próximo passo natural é ampliar a rede, para que o descarte correto seja tão fácil quanto o incorreto.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a lição é de gestão. "Um serviço simples — caminhão tirando material de um pátio — parou por falta de licitação e derrubou a política de resíduos da cidade por dezoito meses. A secretária foi honesta sobre isso. O que a cidade precisa agora é garantia de que o contrato de transbordo é contínuo, com caminhão tirando material toda semana, e de que o ecoponto nunca mais lota. Setenta e duas multas em sete meses mostram o tamanho da demanda reprimida", analisa.

O ecoponto de Araras funciona na Rua Virgílio Salviato, 2.550, no Parque Tiradentes, de segunda a sábado. Denúncias de descarte irregular podem ser feitas pelo 156 ou pelo aplicativo da Prefeitura.