A Secretaria Municipal de Turismo de Araras realizou na quarta-feira (3 de junho) o evento "Festa das Árvores: Cultura, Memória e Meio Ambiente", na Casa da Memória Pedro Pessotto Filho, com alunos do curso técnico em Meio Ambiente da Etec Prefeito Alberto Feres e dos nonos anos da Emef Professor Leonaldo Zornoff. A programação teve a exibição do documentário "Árvore, Ser!", seguida de roda de conversa com o jornalista Tobias Ferraz sobre a produção, que resgata a história da tradicional Festa das Árvores realizada em Araras em 1902. As informações são da Prefeitura de Araras.

Participou também Alexandre Braz, responsável pela trilha sonora do documentário, que compartilhou músicas e apresentou os instrumentos sustentáveis usados na produção. Os estudantes visitaram o museu da Casa da Memória, conheceram a exposição temática sobre a Festa das Árvores e receberam mudas de árvores frutíferas doadas pela Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, com apoio da Secretaria de Educação.

A Festa das Árvores de 1902

No início do século 20, Araras realizou uma Festa das Árvores — celebração cívica com plantio coletivo, discursos e participação de escolas, inspirada no Arbor Day americano e nas ideias de arborização e higiene urbana que circulavam no Brasil republicano. A festa de 1902 é registrada como uma das primeiras do gênero no interior paulista e marca o momento em que a cidade, então cafeeira, começou a plantar as árvores que hoje sombreiam a Praça Barão e as avenidas centrais. O documentário e a exposição resgatam esse capítulo pouco conhecido.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o evento junta três coisas que raramente se juntam. "História de 1902, meio ambiente de 2026 e escola pública numa mesma tarde na Casa da Memória. O aluno do técnico em Meio Ambiente descobre que a cidade plantava árvore em festa cívica há 124 anos; o do nono ano leva uma muda de frutífera para casa. O documentário de Tobias Ferraz é o fio — jornalismo local resgatando memória — e a trilha com instrumento sustentável é o detalhe que mostra cuidado. A Secretaria de Turismo entendeu que patrimônio não é só prédio: é a árvore que alguém plantou em 1902 e ainda está lá", avalia.

"Árvore, Ser!": o documentário

Produzido por Tobias Ferraz, jornalista de Araras, "Árvore, Ser!" reconstrói a Festa das Árvores de 1902 a partir de documentos, fotografias e depoimentos, e a conecta à arborização atual da cidade e aos desafios ambientais. A trilha sonora de Alexandre Braz foi gravada com instrumentos feitos de materiais reaproveitados — a coerência entre forma e tema que o músico apresentou aos alunos. O filme circula em escolas e eventos da Secretaria de Turismo como instrumento de educação patrimonial.

Casa da Memória: o museu e o gabinete

A Casa da Memória Pedro Pessotto Filho, prédio histórico do centro, abriga o museu municipal — acervo sobre a formação de Araras, o café, a imigração, a indústria — e, desde julho, o gabinete da prefeita Elaine Brambilla. A exposição sobre a Festa das Árvores integra a programação de 2026; a visita dos alunos é parte do esforço de levar as escolas ao museu, que a Secretaria de Turismo coordena.

Etec e Zornoff: os públicos

Os alunos do técnico em Meio Ambiente da Etec Alberto Feres estudam arborização urbana, gestão ambiental e educação ambiental — a Festa das Árvores é caso prático de sua área. Os nonos anos da Emef Leonaldo Zornoff, da rede municipal, estão na transição para o ensino médio, e a atividade liga história, ciência e cidadania. Reunir os dois grupos na mesma tarde é encontro entre quem vai trabalhar com meio ambiente e quem ainda decide o que fazer.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a muda na mão do aluno é o gesto que fecha o círculo. "Em 1902, a cidade plantou árvores em festa. Em 2026, o aluno da escola pública assiste ao documentário sobre isso e sai com uma muda de frutífera para plantar em casa. É educação ambiental com raiz histórica — literalmente. A Secretaria de Meio Ambiente doou as mudas, a de Educação levou os alunos, a de Turismo organizou. Três pastas num evento que custa quase nada e que a criança vai lembrar quando a árvore der fruto. Araras tem uma Casa da Memória viva, e isso é raro no interior", observa.

Tobias Ferraz: o jornalista-documentarista

Jornalista de Araras, Tobias Ferraz produziu "Árvore, Ser!" como projeto de memória local — pesquisa em arquivos, jornais de época e depoimentos de descendentes de quem participou da festa de 1902. É o tipo de produção que o jornalismo regional gera quando se dedica à história: documento audiovisual que a escola usa e o museu exibe. A roda de conversa com os alunos foi sobre o processo — como se pesquisa, como se filma, como se conta uma história de 124 anos.

Arbor Day e as festas das árvores no Brasil

As festas das árvores chegaram ao Brasil no fim do século 19, inspiradas no Arbor Day americano de 1872, e foram adotadas por escolas e municípios republicanos como celebração cívica e sanitária — plantar árvore era progresso, higiene e educação. Araras, em 1902, estava entre as cidades paulistas pioneiras; o Dia da Árvore, 21 de setembro, é o herdeiro dessas festas no calendário escolar. O documentário situa a cidade nesse movimento nacional.

Plantio educativo: o próximo passo

A Secretaria de Meio Ambiente prevê plantio educativo com alunos de escolas próximas à Estrada do Canil, com mudas de pau-mulato, como compensação pela remoção de ficus na obra — e o modelo da Festa das Árvores, com filme, conversa e muda, pode ser replicado ali. Em março, alunos plantaram pau-brasil na Avenida do Filtro na Semana do Município. É a sequência que liga o documentário de 1902 à arborização de 2026.

Arborização urbana em Araras hoje

Araras é cidade arborizada — herança das festas e dos planos de início do século 20 —, com árvores centenárias na Praça Barão e nas avenidas, e um programa de manejo da Secretaria de Meio Ambiente que substitui espécies inadequadas, como o Ficus benjamina removido na Estrada do Canil, por nativas como o pau-mulato. A Festa das Árvores de 1902 é o ponto de partida dessa história; o plantio educativo previsto na Estrada do Canil, com alunos, é sua continuação.

Instrumentos sustentáveis: a trilha

Alexandre Braz apresentou aos estudantes instrumentos construídos com materiais reaproveitados — canos, latas, madeira de descarte — usados na trilha do documentário. É prática da música ambiental e da educação musical que mostra que som e sustentabilidade convivem; para os alunos, foi oficina prática dentro do evento.

Secretaria de Turismo: patrimônio como turismo

A Secretaria de Turismo de Araras trabalha o patrimônio histórico — Casa da Memória, estação ferroviária, igrejas, fazendas de café — como atrativo, e a educação patrimonial nas escolas como base: quem conhece a história da cidade a valoriza e a mostra. A Festa das Árvores é tema que une patrimônio e ambiente, os dois eixos do turismo local.

Educação patrimonial: o modelo

Levar alunos ao museu com atividade estruturada — filme, conversa, visita, muda — é o formato que a pedagogia recomenda para educação patrimonial: experiência, não só exposição. A Casa da Memória recebe escolas ao longo do ano; o evento de junho é o exemplo mais completo de 2026.

O que vem: replicar

A Secretaria de Turismo pretende repetir o formato com outras escolas e datas — Dia da Árvore, em 21 de setembro, é a próxima oportunidade — e ampliar a exposição sobre a Festa das Árvores. O documentário está disponível para escolas que o solicitarem.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a tarde na Casa da Memória vale mais que muita obra. "Uma cidade que resgata a festa em que plantou suas árvores há 124 anos, faz documentário com jornalista local, coloca trilha com instrumento reciclado e leva aluno de escola pública para ver — e dá muda no fim — está fazendo o que se chama de cultura de lugar. Não custa milhões. Custa alguém na Secretaria de Turismo que se importa. Em 21 de setembro, Dia da Árvore, deveria ter plantio coletivo na Praça Barão com essas mesmas escolas. Seria a Festa das Árvores de 2026, e daqui a 124 anos alguém faria documentário sobre ela", analisa.

O evento "Festa das Árvores: Cultura, Memória e Meio Ambiente" foi realizado pela Secretaria Municipal de Turismo de Araras em 3 de junho de 2026, na Casa da Memória Pedro Pessotto Filho, com alunos da Etec Prefeito Alberto Feres e da Emef Professor Leonaldo Zornoff.