O Canil Municipal de Araras realizou no sábado (23 de maio) mais uma feira de adoção de cães, das 8h às 11h, na PetCamp da Avenida Padre Alarico Zacharias, 855, no Jardim Belvedere, com três cães adultos — Leon, Orquídea e Mário —, todos vacinados, microchipados, vermifugados e castrados; interessados apresentam documento original com foto e comprovantes de endereço e renda. Uma semana antes, em 16 de maio, na mesma PetCamp, a feira levara Sushi, Costelinha e Pudim — e os três voltaram ao canil sem adoção, onde seguem disponíveis. As informações são do portal Notícias de Araras.
O objetivo das feiras é aproximar a população do trabalho do canil e incentivar a adoção responsável de cães e gatos, principalmente adultos. Quem não puder ir à feira pode visitar o Canil Municipal, de segunda a sexta, das 7h às 16h, na Estrada Municipal Luiz Segundo D'Alessandri, ou ligar para o (19) 99826-8266. Nas feiras e no canil, são recebidas doações para o banco de ração do município — que atende famílias de baixa renda com muitos animais —: ração, sachês, roupas, remédios, coleiras, guias, casinhas, utensílios, bolsas de transporte e brinquedos; também na Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura, na Rua Emílio Ferreira, 70, na Vila Queiroz, das 8h às 16h.
Por que adulto: o cão que ninguém escolhe
Feiras de adoção têm filhotes adotados em minutos e adultos que voltam — cães de 3, 5, 8 anos, recolhidos de rua ou entregues por tutores, que ficam anos no canil. A Prefeitura de Araras decidiu levar às feiras justamente os adultos, castrados e microchipados, porque são a maioria do plantel e os que mais precisam; o retorno de Sushi, Costelinha e Pudim em 16 de maio ilustra a dificuldade, e a insistência com Leon, Orquídea e Mário na semana seguinte, o método. Cão adulto já tem temperamento formado, não destrói, não precisa de adestramento básico e costuma ser mais calmo — argumentos que o canil repete a quem passa pela feira.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a notícia do canil é das poucas em que a Prefeitura admite fracasso. "Três cães foram à feira e três voltaram. O canil publicou os nomes — Sushi, Costelinha, Pudim — e disse que continuam lá. É honestidade que ajuda: quem lê pensa duas vezes. Araras tem canil com castração, chip, vacina, banco de ração e feira mensal em pet shop — estrutura que muitas cidades não têm. O que falta é o morador escolher o adulto em vez do filhote da rua. Felipe Gama e a equipe fazem a parte deles; a cidade precisa fazer a dela. Pudim foi a outra feira em agosto e apareceu de novo na notícia — ainda sem lar", avalia.
Castrado, vacinado, microchipado: o pacote
Todo cão do canil sai castrado — evita ninhadas e reduz fugas —, vacinado contra raiva e as doenças caninas, vermifugado e com microchip subcutâneo que identifica o tutor em caso de perda ou abandono; é o padrão que a Lei de Bem-Estar Animal municipal e o Combea exigem, e que dá ao adotante um animal saudável sem custo inicial de centenas de reais.
Documento, endereço e renda: por que exigir
A adoção exige documento com foto, comprovante de endereço e de renda — para garantir que o adotante tem casa e condições de manter o animal, e para localizar o tutor em caso de abandono; é filtro contra adoção por impulso, que devolve o cão ao canil ou à rua em semanas. O canil faz entrevista e pode visitar a residência.
PetCamp: a parceria com o comércio
Realizar a feira em pet shop — a PetCamp do Belvedere em maio, a Agromil Pets em agosto — leva os cães a onde há tutores em potencial e dá ao comércio movimento; a parceria é sem custo à Prefeitura, e as lojas recebem também as doações para o banco de ração. É o modelo que a Secretaria de Meio Ambiente adotou para as feiras mensais.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o banco de ração é a política mais inteligente do canil. "Família pobre com dez cachorros no quintal é a origem de metade dos animais de rua: não castra, não alimenta, o cão foge ou é solto. O banco de ração, criado por lei em 2020, dá ração a quem cuida de muitos animais e não tem como — com cadastro no Ganha Tempo e avaliação da Assistência Social. É prevenção de abandono na fonte. Dona Lucineide, com 13 cães, recebeu em maio. Cada saco de ração doado na feira vira um cão que não vai para a rua. Adotar o Pudim é bom; doar ração para quem já tem dez é o que evita o próximo Pudim", observa.
Banco de ração: a Lei 5.332/2020
Instituído por lei municipal em julho de 2020, o banco atende famílias de baixa ou nenhuma renda, em vulnerabilidade social, alimentar e nutricional, que tenham animais, além de protetores independentes cadastrados, ONGs da causa animal e animais em situação de abandono; o cadastro é feito no Ganha Tempo, com RG, CPF, comprovante de endereço e do benefício — CadÚnico ou Bolsa Família —, e a Assistência Social avalia e encaminha ao canil para retirada.
Canil Municipal: a estrutura
Na Estrada Municipal Luiz Segundo D'Alessandri, o canil — chefiado por Felipe Gama e ligado à Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura de Raquel Metzner — recolhe animais em risco, castra, trata, abriga e promove adoção; recebe doações de ração, medicamentos, roupas, coleiras, casinhas e brinquedos, e atende de segunda a sexta, das 7h às 16h. É também onde os cães da GCM foram treinados.
Abandono de animais: o crime e a rede
Abandonar animal é crime pela Lei 9.605/1998, com pena ampliada em 2020 pela Lei 14.064 — reclusão de dois a cinco anos para maus-tratos a cães e gatos —, e a Gestão Ambiental da GCM de Araras atende denúncias e encaminha à Polícia Civil; o canil recolhe os animais, trata e coloca para adoção. O ciclo — abandono, recolhimento, castração, feira, adoção — é o que o banco de ração e a castração gratuita tentam interromper na origem. Em Araras, as denúncias de maus-tratos crescem com a conscientização, e o canil opera perto da capacidade; cada adoção abre vaga para o próximo resgate.
Castração gratuita: a política de base
O canil e a Secretaria de Meio Ambiente mantêm programa de castração gratuita para animais de famílias de baixa renda e de protetores cadastrados — a medida mais eficaz de controle populacional, que evita ninhadas indesejadas e o abandono de filhotes; a demanda supera a oferta, com fila para agendamento, e o Combea propõe ampliação com mutirões e parceria com clínicas veterinárias. Cão castrado da feira é o resultado visível; a castração do cão da periferia é o que evita a feira de amanhã.
Combea: o conselho
O Conselho Municipal do Bem-Estar Animal delibera sobre a política — castração, feiras, banco de ração, fiscalização de maus-tratos — e participou da reunião de conselhos com a prefeita em agosto; a lei municipal de proteção animal e a Gestão Ambiental da GCM completam a rede.
Como adotar
Ir à feira ou ao canil com RG, comprovante de endereço e de renda; conhecer o animal, conversar com a equipe, assinar o termo de adoção; levar o cão castrado, vacinado e com chip. Adotante recebe orientação e pode contar com o canil em dúvidas. O telefone (19) 99826-8266 informa quais cães estão disponíveis.
Sushi, Costelinha, Pudim, Leon, Orquídea, Mário
Seis cães adultos com nome, foto e história, apresentados em duas feiras de maio — alguns adotados depois, outros ainda no canil em setembro. Dar nome e publicar é o que transforma "cão do canil" em alguém para adotar.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a feira de adoção é a notícia mais simples e mais repetida do ano — e precisa ser. "Todo mês o canil leva três cães a uma pet shop e publica os nomes. Às vezes nenhum é adotado. A Prefeitura continua. É persistência que política pública raramente tem. Araras tem canil, castração, chip, banco de ração, Combea e GCM ambiental — a cidade está estruturada para cuidar de animal. O que falta é o gesto individual: ir ao Belvedere num sábado e levar o Pudim. Enquanto isso não acontece, o portal vai continuar publicando os nomes. Alguém vai ler", analisa.
As feiras de adoção do Canil Municipal de Araras na PetCamp do Jardim Belvedere foram realizadas em 16 e 23 de maio de 2026, com cães adultos castrados, vacinados, vermifugados e microchipados. O canil funciona de segunda a sexta-feira, das 7h às 16h, na Estrada Municipal Luiz Segundo D'Alessandri.



