A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agricultura de Araras orienta os produtores rurais sobre a vacinação contra a brucelose, doença que afeta bovinos e bubalinos, que deve ser feita até 30 de junho. As fêmeas com idade entre três e oito meses devem receber o imunizante, aplicado obrigatoriamente por médico-veterinário cadastrado na Defesa Agropecuária do Estado. A brucelose provoca abortos, queda de produtividade e dificuldades reprodutivas nos rebanhos — e é zoonose: pode ser transmitida a humanos pelo contato com animais infectados ou pelo consumo de leite e derivados sem inspeção sanitária. As informações são do portal Notícias de Araras.

A vacinação das bezerras é uma das principais medidas do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose, o PNCEBT, e contribui para a proteção dos rebanhos, da saúde pública e da produção agropecuária. Dúvidas podem ser esclarecidas na Casa da Agricultura de Araras, na Rua Emílio Ferreira, 70, Vila Queiroz, ou pelo telefone (19) 3541-2558.

Brucelose: a doença

Causada pela bactéria Brucella abortus, a brucelose bovina se transmite entre animais pelo contato com secreções de partos e abortos, e persiste em rebanhos sem controle por anos. Nos bovinos, provoca aborto no terço final da gestação, retenção de placenta, infertilidade e queda na produção de leite — prejuízo direto ao produtor. Não tem cura no animal: o positivo deve ser sacrificado. A prevenção é a vacinação das fêmeas jovens, que confere imunidade duradoura antes da primeira gestação.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, a orientação é de saúde pública tanto quanto agrícola. "Brucelose é doença de vaca que vira doença de gente — febre ondulante, dor articular, fadiga por meses — via leite cru, queijo sem inspeção ou contato no parto do animal. Araras tem produção leiteira familiar e feiras de produtor; vacinar as bezerras até 30 de junho é proteger o rebanho e o consumidor do queijo da feira. A Casa da Agricultura faz o que deve: lembra o prazo, dá o telefone, lista o veterinário. Produtor pequeno que perde o prazo fica com rebanho vulnerável e sem certificado", avalia.

Por que só fêmeas de três a oito meses

A vacina B19, usada no Brasil, é de bactéria viva atenuada e só pode ser aplicada em fêmeas jovens: em animais adultos ou machos, pode provocar reação e interferir nos testes de diagnóstico. A janela de três a oito meses garante imunidade antes da puberdade e evita que a vacina seja confundida com infecção nos exames sorológicos futuros. Por isso o calendário é semestral — as bezerras nascidas no semestre anterior são vacinadas até 30 de junho e até 31 de dezembro.

Veterinário cadastrado: a exigência

A aplicação por veterinário cadastrado na Defesa Agropecuária é obrigatória porque a vacina B19 é de manejo controlado — o profissional emite o atestado de vacinação, marca o animal a ferro na face esquerda com o algarismo final do ano e registra no sistema estadual. O atestado é exigido para trânsito de animais, participação em feiras e obtenção de certificado de propriedade livre. A lista de veterinários cadastrados em Araras está na Casa da Agricultura.

PNCEBT: o programa nacional

Criado em 2001 pelo Ministério da Agricultura, o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose combina vacinação obrigatória de bezerras, testes de diagnóstico, sacrifício de positivos e certificação de propriedades livres. São Paulo é classificado como estado de baixa prevalência; a manutenção depende da cobertura vacinal municipal — que a Defesa Agropecuária fiscaliza e cobra dos produtores.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, a Casa da Agricultura é o elo que o produtor pequeno precisa. "Grande fazenda tem veterinário próprio e sabe o prazo. Sítio de dez vacas, não. É para esse produtor que a Secretaria publica a orientação, com endereço e telefone da Casa da Agricultura — o balcão onde ele descobre qual veterinário chamar e quanto custa. Araras tem zona rural com cana, laranja e pecuária de leite familiar; a Casa da Agricultura, na Vila Queiroz, é o serviço público que atende essa gente. A brucelose é o exemplo: sem o lembrete, a bezerra passa dos oito meses e fica sem vacina", observa.

Tuberculose bovina: a outra doença do programa

O PNCEBT trata em conjunto brucelose e tuberculose bovina — esta causada pelo Mycobacterium bovis, também zoonose transmitida pelo leite cru, sem vacina disponível e controlada apenas por teste e sacrifício de positivos. A certificação de propriedade livre exige testes negativos para as duas doenças em todo o rebanho. Para o produtor de leite de Araras, a vacinação contra brucelose é o primeiro passo; o teste de tuberculose, o segundo — ambos feitos pelo veterinário cadastrado.

Marcação a ferro: o registro no animal

A bezerra vacinada com B19 recebe marca a ferro candente na face esquerda com o último algarismo do ano — "6" em 2026 —, identificação permanente que permite a qualquer fiscal ou comprador saber que o animal foi imunizado. Animais sem marca e sem atestado não podem ser transportados nem vendidos em feiras, e a propriedade fica sujeita a autuação da Defesa Agropecuária. É controle simples e eficaz que dá rastreabilidade ao programa.

Custo da vacinação

A vacina B19 tem custo baixo por dose, e o serviço do veterinário — aplicação, marcação, atestado — é cobrado por animal, com valor de deslocamento para pequenas propriedades. Para o produtor familiar com poucas bezerras, o custo do deslocamento pesa; a Casa da Agricultura orienta sobre agrupamento de vizinhos para dividir a visita do profissional, prática comum na região.

Zoonose: o risco humano

Em humanos, a brucelose causa febre prolongada e recorrente, sudorese, dores articulares e musculares, fadiga e, sem tratamento, complicações crônicas; o diagnóstico é frequentemente tardio por confusão com outras febres. A infecção vem do consumo de leite cru e derivados não pasteurizados — queijo fresco, principalmente — e do contato ocupacional com animais infectados: produtores, veterinários, trabalhadores de abatedouro. A pasteurização elimina a bactéria; a vacinação do rebanho elimina a fonte.

Leite e queijo: a inspeção

A venda de leite cru e de queijo sem inspeção é irregular justamente por doenças como a brucelose e a tuberculose bovina. Produtores que querem vender derivados precisam de inspeção municipal, estadual ou federal — e a certificação de rebanho livre de brucelose e tuberculose é requisito. A Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura de Araras orienta sobre o Serviço de Inspeção Municipal, o SIM, cujo e-mail é o mesmo das capacitações da pasta.

Pecuária em Araras

Araras tem pecuária de leite e de corte em pequenas e médias propriedades, ao lado das grandes culturas de cana e citros. O rebanho municipal soma milhares de cabeças, e a Casa da Agricultura — vinculada à Coordenadoria de Assistência Técnica Integral do Estado e à Secretaria municipal — é o ponto de apoio técnico. A capacitação em ovoscopia, em junho, e a orientação sobre brucelose fazem parte da mesma agenda de extensão rural.

Como cumprir o prazo

Identificar as bezerras nascidas entre outubro e março, com três a oito meses em junho; contatar veterinário cadastrado; agendar a vacinação; guardar o atestado. A Casa da Agricultura fornece a lista de profissionais e orienta sobre custos, que costumam ser por cabeça mais deslocamento. Após 30 de junho, a bezerra que passou dos oito meses não pode mais receber a B19 — só a vacina RB51, sem marcação, em condições específicas.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, a orientação merece ser lida por quem não tem vaca. "A brucelose é o motivo pelo qual o queijo da feira precisa de inspeção e o leite precisa ser pasteurizado. Cada bezerra vacinada em Araras até 30 de junho é uma fonte a menos da bactéria que dá febre por meses em quem toma leite cru. A Secretaria de Agricultura avisa o produtor; o consumidor deveria saber por quê. Comprar de quem vacina e tem SIM não é burocracia — é a diferença entre queijo e doença", analisa.

A vacinação de bezerras contra a brucelose em Araras deve ser feita até 30 de junho de 2026, por veterinário cadastrado na Defesa Agropecuária. Orientações na Casa da Agricultura, Rua Emílio Ferreira, 70, Vila Queiroz, ou pelo (19) 3541-2558.