O Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras (Saema) segue substituindo a tubulação antiga de distribuição de água da cidade. A rede de ferro fundido de 50 milímetros de diâmetro (DN50), instalada há décadas nos bairros mais antigos, está sendo trocada por tubos de PVC de 60 milímetros (DN60). A iniciativa integra o Programa de Renovação de Redes, lançado pela autarquia em 2025, que prevê a substituição de 30 quilômetros de tubulação em diferentes bairros até 2030. Até o momento, 3,3 quilômetros já foram renovados, segundo o portal Notícias de Araras.

Na segunda-feira (24) e na terça-feira (25), as equipes trabalharam na Rua Júlio Mesquita, no Centro. A prefeita Elaine Brambilla acompanhou os trabalhos ao lado do presidente do Saema, Rubens Franco Júnior. "O serviço abrange bairros mais antigos da cidade como, por exemplo, Centro, Jardim Cândida, Jardim Belvedere, Jardim Fátima e Parque Industrial, que têm uma pressão mais baixa de água por conta dessa tubulação antiga e comprometida", explicou Franco Júnior.

Por que o ferro fundido antigo reduz a pressão

As redes de ferro fundido instaladas em décadas passadas eram, à época, o padrão de qualidade para distribuição de água. Com o tempo, porém, o material sofre um processo conhecido como tuberculização: a corrosão interna forma incrustações que reduzem progressivamente o diâmetro útil do tubo. Uma rede que nasceu com 50 milímetros pode, após décadas, ter espaço interno muito menor — o que aumenta a perda de carga e faz a pressão cair nas extremidades, especialmente em pontos mais altos ou mais distantes dos reservatórios.

O resultado, para o morador, é conhecido: água que chega fraca no chuveiro, caixa d'água que demora a encher, pressão que despenca nos horários de maior consumo. Além disso, tubos corroídos são mais propensos a rompimentos, o que gera vazamentos, perda de água tratada e interrupções no abastecimento para reparos.

A substituição por PVC DN60 ataca os dois problemas ao mesmo tempo. O PVC não sofre corrosão, mantém o diâmetro interno ao longo de sua vida útil e tem superfície mais lisa, com menor atrito; e o aumento de 50 para 60 milímetros amplia a capacidade de vazão da rede. O ganho de pressão nos bairros atendidos tende a ser perceptível assim que o trecho é interligado.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o programa resolve um problema invisível até que se manifeste. "Ninguém vê a rede de água, mas todo mundo sente quando ela falha. Baixa pressão no Centro e no Belvedere não é falta de água em Araras, é tubo de ferro com cinquenta anos entupido por dentro. O Saema está trocando a artéria, não o remédio. É o tipo de investimento que não rende foto bonita, mas rende décadas de serviço", avalia.

Onde a rede já foi renovada

Os 3,3 quilômetros substituídos até agora se distribuem por diversas ruas. No Centro, foram renovados trechos das ruas Fioravante Daltro, Mário Daltro, Alfredo Dalgé, Lourenço Dias, Vinte e Quatro de Março e Romildo Borella — além da Júlio Mesquita, em execução esta semana. Fora do Centro, o programa já alcançou a Rua Belo Horizonte, no Jardim Cândida; a Benjamin Franklin, no Jardim Abolição; a Niterói, no Parque Santa Cândida; a Rua dos Italianos, no Bom Jesus; a Rua das Camélias, no Jardim Nicolau; e a Rua Achilina Fachini, no Jardim Fátima.

A lista revela a lógica de priorização: bairros consolidados, com rede antiga, e ruas com histórico de reclamações por pressão ou por rompimentos. O Programa de Renovação de Redes é definido pela autarquia como um planejamento contínuo de substituição e melhoria das redes de abastecimento, com prioridade para trechos mais antigos e para locais que apresentam histórico de baixa pressão, ocorrências e necessidade de intervenções frequentes.

30 quilômetros até 2030: o ritmo necessário

A meta de 30 quilômetros em cinco anos implica renovar, em média, seis quilômetros de rede por ano. Com 3,3 quilômetros concluídos desde o lançamento em 2025, o programa precisará acelerar para cumprir o cronograma — o que depende de orçamento, de equipes e da capacidade de executar obras em vias urbanas sem comprometer o trânsito e o abastecimento durante as intervenções.

A substituição de rede é uma obra delicada: exige abertura de valas, remoção do tubo antigo, assentamento do novo, interligação com as ligações domiciliares e recomposição do pavimento. Em ruas centrais, com comércio e tráfego intenso, cada trecho precisa ser planejado para minimizar o tempo de interdição. É por isso que o programa avança rua a rua, e não bairro a bairro.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o cronograma é ambicioso mas viável. "Seis quilômetros por ano é bastante para uma autarquia municipal. O Saema fez 3,3 em pouco mais de um ano de programa, então está um pouco abaixo do ritmo. Mas o que importa é que existe meta, existe lista de ruas, existe site para acompanhar. Cobrança pública só funciona quando o compromisso é mensurável, e esse é", observa.

Perdas de água: o custo invisível da rede velha

Há um benefício da renovação de redes que não aparece na torneira do morador, mas pesa no orçamento da autarquia e no meio ambiente: a redução das perdas. Em sistemas de abastecimento brasileiros, parcela expressiva da água tratada — em média, próxima de 40%, segundo dados do setor de saneamento — se perde entre a estação de tratamento e o consumidor, por vazamentos em tubulações antigas, rompimentos e ligações irregulares. Cada litro perdido foi captado, tratado com produtos químicos e bombeado com energia elétrica; ou seja, custou dinheiro antes de desaparecer no solo.

Redes de ferro fundido corroídas são uma das principais fontes dessas perdas físicas. A substituição por PVC, além de melhorar a pressão, fecha vazamentos crônicos e reduz a quantidade de água que o Saema precisa produzir para atender a mesma demanda — um ganho de eficiência que se converte em menor custo operacional e em menor pressão sobre os mananciais da cidade, especialmente relevante em anos de estiagem prolongada.

Transparência: cronograma público

Um diferencial do programa é a possibilidade de acompanhamento. O cronograma das intervenções está disponível no site do Saema, na página dedicada ao Programa de Renovação de Redes, onde o morador pode verificar se sua rua está prevista e em que etapa se encontra. A publicação do calendário transforma o programa em compromisso verificável — e permite que a população cobre atrasos com base em informação oficial.

A autarquia mantém ainda um telefone de emergência 24 horas, o 0800 014 4321, para ocorrências como rompimentos, vazamentos e falta d'água — canal que segue ativo durante as obras de renovação, já que interligações de rede podem provocar interrupções pontuais no abastecimento.

O reflexo no ranking nacional

O investimento na rede de água se soma a outras ações do Saema — como o cronograma anual de dedetização da rede de esgoto, divulgado no fim de agosto — e ajuda a explicar a posição de Araras no Ranking de Competitividade dos Municípios de 2026: 49ª colocação em saneamento básico entre 423 cidades avaliadas, a melhor nota do município entre todos os indicadores. Saneamento é, hoje, o principal ativo de Araras na comparação nacional, e a renovação de redes é uma das razões.

O que muda para o morador

Para quem vive nos bairros contemplados, a substituição da rede significa pressão de água mais estável, menos rompimentos e menos interrupções para reparo. Para o município como um todo, significa redução de perdas de água tratada — um dos maiores desperdícios dos sistemas de abastecimento brasileiros, em que parcela relevante da água produzida se perde em vazamentos antes de chegar às torneiras.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o programa tem valor pedagógico. "Araras está mostrando que saneamento não é só ligar casa nova à rede. É cuidar da rede que já existe. Cidade brasileira tem o hábito de construir e esquecer; o Saema está fazendo o contrário, voltando aos bairros antigos e trocando o que está no fim da vida útil. Se mantiver o ritmo até 2030, Araras vai ter uma das redes mais renovadas do interior paulista", analisa.

O Saema informou que as próximas ruas a receber a renovação seguirão o cronograma publicado no site, com ajustes conforme as condições operacionais. Moradores que identificarem baixa pressão persistente podem registrar a ocorrência pelo telefone da autarquia para que o trecho seja avaliado e, se for o caso, incluído na priorização do programa.