O Saema — Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras — lançou o cronograma de execução do Programa de Renovação de Redes de Abastecimento para o segundo semestre de 2026. Iniciado em 2025, o programa substitui as antigas tubulações de ferro fundido de 50 milímetros por redes de PVC de 60 milímetros, material mais moderno, resistente e com melhor desempenho hidráulico. No total, serão trocados 30 quilômetros de rede; até agora, cerca de 3 mil metros foram substituídos em 12 ruas, com equipes próprias da autarquia, e o cronograma prevê mais 3.915 metros ainda em 2026, com continuidade até 2030. As informações são do portal Notícias de Araras.

"A substituição das redes contribui para melhorar a vazão da água, reduzir rompimentos, diminuir as perdas, aumentar a confiabilidade do abastecimento e a preparação da infraestrutura para acompanhar o crescimento da cidade", explicou o presidente do Saema, Junior Franco. Nos meses de julho e agosto, as obras contemplam as ruas Germano Quenzer, no Parque Santa Cândida, e Manaus e Afonso Bueno, no Jardim Cândida.

Ferro fundido x PVC: por que trocar

As redes de ferro fundido de 50 mm são herança das décadas de 1960 a 1980, quando boa parte da malha urbana de Araras foi implantada. Com o tempo, o ferro sofre corrosão interna — as incrustações reduzem o diâmetro útil e a vazão, causando a baixa pressão de que moradores reclamam — e externa, que leva a rompimentos. O PVC de 60 mm não corrói, tem parede lisa que melhora o escoamento e, com diâmetro maior, entrega mais água com a mesma pressão. É a solução padrão das autarquias brasileiras para renovar redes antigas, com vida útil estimada em 50 anos.

Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o programa ataca o problema invisível do saneamento. "Todo mundo vê a estação de tratamento; ninguém vê o cano de ferro de 1975 embaixo da rua. Mas é ele que estoura na madrugada, deixa o bairro sem água e joga fora 30% do que foi tratado. Trocar 30 quilômetros é obra de cinco anos que não rende inauguração — rende conta de água mais baixa e torneira com pressão. Que o Saema tenha publicado cronograma e mapa é o que transforma obra enterrada em compromisso verificável", avalia.

Como as ruas são escolhidas

Os locais não são definidos aleatoriamente. A seleção segue critérios técnicos: histórico de baixa pressão, quantidade de rompimentos, ocorrência de vazamentos, perdas de água, idade das tubulações, crescimento da demanda e planejamento operacional das equipes. É, na prática, um ranking de urgência: a rua que mais estoura e mais perde água vai primeiro. O programa é permanente, planejado e gradual, "priorizando os locais com maior necessidade técnica", segundo a autarquia.

Perdas de água: o número que importa

O índice de perdas — a diferença entre o volume de água tratada e o volume efetivamente faturado — é o principal indicador de eficiência de um sistema de abastecimento. No Brasil, a média supera 37%; em sistemas com redes antigas, chega a 50%. Cada rompimento e cada vazamento não detectado é água tratada, com custo de energia e produtos químicos, que volta ao solo. Renovar rede é a ação de maior impacto sobre esse índice — e, indiretamente, sobre a capacidade do sistema de atender o crescimento da cidade sem novas captações.

Equipes próprias: mais barato, mais lento

O Saema executa as trocas com equipes próprias, sem contratar empreiteira. A vantagem é o custo — sem margem de terceiros — e o controle de qualidade; a desvantagem é o ritmo: 3 mil metros em pouco mais de um ano, com meta de 3.915 metros para o restante de 2026, significa cerca de 6 a 7 quilômetros por ano. Nesse ritmo, os 30 quilômetros levariam mais de quatro anos — o que explica o horizonte de 2030. Acelerar exigiria contratação externa ou ampliação das equipes, decisão que depende do caixa da autarquia.

Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o ritmo é o ponto a acompanhar. "Trinta quilômetros até 2030 é razoável; o risco é 2030 virar 2034. Programa de renovação de rede é o primeiro a ser cortado quando o caixa aperta, porque não dá voto e não aparece. O mapa interativo é a defesa contra isso: se a cidade vir que o cronograma parou, cobra. O Saema fez a coisa certa ao se comprometer publicamente; agora a Câmara e a imprensa precisam olhar o mapa todo semestre", observa.

Transparência: mapa e cronograma público

Para ampliar a transparência, o Saema disponibilizará um mapa interativo e um cronograma público, permitindo que a população acompanhe quais ruas já foram concluídas, quais estão em execução e quais fazem parte da programação futura. Sempre que uma obra for iniciada, serão divulgadas informações sobre o trecho, prazo previsto e possíveis impactos temporários no abastecimento. As informações ficam no site www.saema.com.br e nos canais oficiais da autarquia, com reforço nas publicações da Prefeitura.

O que muda para o morador durante a obra

A troca de rede exige abrir a rua, retirar a tubulação antiga, instalar a nova, reconectar cada ramal domiciliar e recompor o pavimento. Durante a execução, há interrupção temporária do abastecimento no trecho — em geral de algumas horas —, restrição de tráfego e, nos dias seguintes, possibilidade de água turva pela movimentação da rede. O Saema avisa com antecedência e recomenda que moradores armazenem água para o período. Concluída a obra, o resultado esperado é imediato: mais pressão, menos vazamento e fim dos rompimentos recorrentes.

Santa Cândida e Jardim Cândida: as ruas do semestre

As três ruas contempladas em julho e agosto — Germano Quenzer, no Parque Santa Cândida, e Manaus e Afonso Bueno, no Jardim Cândida — ficam em bairros consolidados da região norte, com rede antiga e histórico de reclamações de pressão baixa em horários de pico. O trecho listado no cronograma, entre a Avenida Ernani L. Oliveira e a Rua Roberto L. Oliveira, é típico dos que o programa prioriza: rede de ferro fundido de décadas, ramais numerosos e demanda crescente com a verticalização e a ocupação de lotes vazios. Concluído o semestre, o Saema divulga os próximos bairros no mapa interativo.

De 50 para 60 milímetros: o que o diâmetro muda

A troca de DN50 por DN60 — de 50 para 60 milímetros de diâmetro nominal — parece pequena, mas a vazão de um tubo cresce com o quadrado do raio: 20% a mais de diâmetro significa cerca de 44% a mais de área de escoamento. Somado à parede lisa do PVC, que reduz o atrito em relação ao ferro incrustado, o ganho de capacidade é substancial: a mesma rede passa a atender mais casas com pressão adequada, inclusive nos pontos altos dos bairros, onde a água "não sobe" nos horários de maior consumo. É a razão técnica de o programa não repor o tubo pelo mesmo diâmetro — a rede nova é dimensionada para a cidade de 2050, não para a de 1975.

Araras e o saneamento no ranking nacional

O saneamento básico é, hoje, o melhor indicador de Araras no Ranking de Competitividade dos Municípios: 49ª posição entre 423 cidades avaliadas. A cobertura de água e esgoto é alta, e a autarquia municipal — modelo que muitas cidades abandonaram ao conceder o serviço a empresas privadas — mantém tarifas comparativamente baixas. A renovação de redes é o investimento que sustenta essa posição: sem ela, a rede antiga degrada a qualidade do serviço e o índice de perdas corrói a eficiência.

Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o programa é exemplo de gestão de longo prazo. "Cinco anos, 30 quilômetros, critério técnico, mapa público, equipe própria. É o oposto do improviso. Nenhum prefeito vai cortar fita em cano de PVC enterrado, e mesmo assim o Saema planejou até 2030 — atravessando pelo menos uma eleição. Se o próximo governo mantiver o cronograma, Araras terá uma das redes mais novas do interior. A pergunta que a cidade deve fazer em 2028 é simples: quantos quilômetros foram trocados? O mapa vai responder", analisa.

O cronograma e o mapa interativo do Programa de Renovação de Redes estão disponíveis no site do Saema, www.saema.com.br. Moradores das ruas em obra recebem aviso prévio sobre interrupções no abastecimento.