O Serviço de Água e Esgoto do Município de Araras, o Saema, publicou na edição de sexta-feira (6 de março) do Diário Oficial Eletrônico o edital de concorrência pública para contratar a empresa que finalizará as obras do Sabaz, o Sistema de Abastecimento de Água da Zona Leste. A segunda fase prevê ampliação da rede de distribuição de água tratada, implantação da nova Estação Elevatória de Água Tratada do José Ometto — próxima ao Estádio Doutor Hermínio Ometto — e o sistema adutor entre a elevatória e o reservatório do Residencial Campo Belo, garantindo mais de 350 litros por segundo à região leste. O valor estimado é de R$ 17.032.928,06, com prazo de execução de 24 meses e recursos de convênio com o Governo Federal pelo Novo PAC. As informações são do portal Notícias de Araras.
"Essa é uma obra de grande porte, extremamente importante para um melhor abastecimento de água nessa região da cidade, que cresceu tanto. É investimento em infraestrutura para garantir melhor qualidade de vida à população. Água é um bem essencial e um direito de todos", disse o presidente da autarquia, Rubens Franco Júnior. A sessão pública é às 9h de 15 de abril, pela plataforma Novo BBMNet; o edital está no site do Saema e na Rua Ciro Lagazzi, 155, no Jardim Cândida. A primeira fase, concluída em 2023, implantou a adutora da Estação de Tratamento de Água do Jardim Cândida até a Rua Lins, no Jardim Santa Rosa.
Zona leste: por que precisa
A zona leste de Araras — José Ometto I e II, Campo Belo, Santa Rosa, Vila Michelin, loteamentos recentes — foi a região de maior expansão urbana das últimas duas décadas, com conjuntos habitacionais, condomínios e comércio, e a rede de água, dimensionada para a cidade dos anos 1990, passou a operar no limite: pressão baixa em pontos altos, falta em horários de pico e no verão, dependência de bombeamento improvisado. O Sabaz é a solução estrutural: adutora dedicada desde a ETA, elevatória própria e reservação no Campo Belo, o ponto mais alto, para distribuir por gravidade.
Para Thiago Baptista Martins, editor do portal, o Sabaz é a obra de saneamento mais importante de Araras depois da ETE. "Trezentos e cinquenta litros por segundo é água para dezenas de milhares de pessoas — a zona leste inteira com pressão e reserva. A primeira fase saiu em 2023; a segunda ficou dois anos esperando dinheiro e projeto. Com R$ 17 milhões do Novo PAC e edital publicado, o Saema de Júnior Franco destrava. Vinte e quatro meses de obra levam a 2028. É o tipo de infraestrutura que ninguém vê — tubo enterrado, elevatória, reservatório — e que decide se a torneira abre em janeiro. O corte de água por inadimplência, anunciado em abril, e a tarifa social mostram que o Saema está arrumando a receita para bancar a contrapartida", avalia.
Estação elevatória do José Ometto
A EEAT — Estação Elevatória de Água Tratada — recebe a água da adutora vinda da ETA e a bombeia ao reservatório do Campo Belo, vencendo o desnível da zona leste. Será construída em terreno próximo ao Estádio Hermínio Ometto, com conjuntos motobomba, quadro elétrico, automação e gerador; é o coração hidráulico do sistema. Sem ela, a água chega sem pressão aos bairros altos.
Adutora e reservatório do Campo Belo
O sistema adutor entre a elevatória e o reservatório do Residencial Campo Belo completa o eixo ETA–José Ometto–Campo Belo; do reservatório, no ponto alto, a distribuição se faz por gravidade para os bairros ao redor, com pressão estável. A ampliação da rede de distribuição prevista no edital conecta loteamentos ainda atendidos por soluções provisórias.
Novo PAC: de onde vem o dinheiro
O Novo PAC, lançado em 2023 pelo governo federal, tem eixo de saneamento com recursos do Orçamento e do FGTS para abastecimento e esgotamento em municípios, via Ministério das Cidades e Funasa; Araras teve o Sabaz selecionado e assinou convênio com contrapartida do Saema. É financiamento não oneroso — não é empréstimo —, o que preserva a Capag do município.
Na leitura de Adriano Jose Reis Martins, editor do portal, o Sabaz e a ETE contam a mesma história. "Araras cresceu para o leste sem água suficiente e para todo lado sem tratar esgoto. As duas obras ficaram paradas anos por falta de dinheiro e de licença. Em 2026, o Sabaz tem edital com R$ 17 milhões do PAC e a ETE tem licença da Cetesb e negociação com a Caixa. Não é coincidência: é a gestão do Saema e da Fazenda arrumando documento e Capag para acessar recurso. Se as duas saírem até 2028, a cidade terá resolvido água e esgoto na mesma década — o que não fez em 50 anos. A concorrência de abril é o primeiro passo", observa.
Primeira fase: 2023
A adutora da ETA do Jardim Cândida até a Rua Lins, no Jardim Santa Rosa, concluída em 2023, trouxe a água tratada até a borda da zona leste; sem a segunda fase, porém, o ganho de pressão ficou parcial. O intervalo entre as fases — recursos, projeto executivo, convênio — é comum em obras de saneamento financiadas por etapas.
350 litros por segundo: o que significa
Uma vazão de 350 litros por segundo equivale a 30 milhões de litros por dia — com consumo médio de 150 a 200 litros por habitante ao dia, é água para 150 mil a 200 mil pessoas, mais que a população atual de Araras. O dimensionamento acima da demanda da zona leste é proposital: garante pressão nos horários de pico, reserva para o crescimento dos próximos 20 anos e capacidade de manobra para socorrer outras regiões em emergência. É o padrão de projeto de sistemas de abastecimento financiados pelo governo federal, que exigem horizonte de 20 anos.
ETA do Jardim Cândida: a origem da água
A Estação de Tratamento de Água do Jardim Cândida é a principal ETA de Araras — capta no Ribeirão das Araras e em represas, trata por coagulação, decantação, filtração e cloração, e distribui para a cidade por adutoras e reservatórios. A adutora da primeira fase do Sabaz saiu dela; a segunda fase leva a água da ETA, pela adutora existente, à nova elevatória do José Ometto e daí ao Campo Belo. A capacidade da ETA é suficiente para os 350 litros por segundo; o gargalo era o transporte, não o tratamento.
Concorrência pública: o rito
Edital publicado em 6 de março, sessão em 15 de abril, prazo para propostas e habilitação pela Lei 14.133; após homologação, ordem de serviço e 24 meses de execução — conclusão prevista para 2028. Empresas de saneamento e obras hidráulicas da região e do estado disputam; o critério é menor preço com habilitação técnica.
Saema: a autarquia
O Saema é autarquia municipal responsável por captação, tratamento, distribuição de água, coleta de esgoto e a futura ETE, presidido em 2026 por Rubens Franco Júnior. Financia-se por tarifa; convênios federais e estaduais bancam obras estruturantes. A tarifa social, com desconto de até 50% para famílias do CadÚnico, e o corte por inadimplência são políticas de receita anunciadas em abril.
Verão e El Niño: a urgência
Com previsão de El Niño excepcional para o verão 2026/27 — calor e demanda de água recordes —, a zona leste sem o Sabaz concluído enfrentará faltas em janeiro e fevereiro; o Saema opera manobras e caminhões-pipa até a obra. A conclusão em 2028 é o horizonte; o verão de 2027 será o teste intermediário.
O que muda para o morador
Pressão estável, fim das faltas em horário de pico e reserva para expansão em José Ometto, Campo Belo, Santa Rosa e loteamentos vizinhos — a partir de 2028. Durante a obra, intervenções em vias da zona leste com desvios temporários.
Para Jaime Fernando Reis Martins, editor do portal, o edital é a notícia de saneamento do ano. "Dezessete milhões do PAC para água na zona leste, com elevatória e reservatório — é obra que a região pede desde os anos 2000. Júnior Franco publicou o edital em março; a sessão é em abril; a obra leva dois anos. Maretto assinou o convênio e não viu a licitação; Elaine vai inaugurar em 2028, se tudo correr. Água na torneira do Campo Belo em janeiro de 2029 é a promessa. A cidade que planta 3.600 árvores por ano e cuida de nascente precisa levar a água até o morador. O Sabaz faz isso", analisa.
O edital de concorrência pública para a segunda etapa do Sabaz foi publicado pelo Saema em 6 de março de 2026, com valor estimado de R$ 17.032.928,06 e recursos do Novo PAC. A sessão pública foi marcada para 15 de abril de 2026.



